A economista Zeina Latif afirma que a disputa geopolítica entre os países vai além das tarifas comerciais, envolvendo interesses em minerais raros, e que o Brasil continuará sob pressão mesmo com mudanças no governo dos EUA.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem continuar influenciando o comércio internacional nos próximos anos, não importando quem esteja no poder. A avaliação é da economista Zeina Latif, em entrevista ao CNN Agro News.
Segundo a economista, embora o Brasil seja um dos países mais afetados pelas tarifas norte-americanas, a justificativa vai além da relação comercial entre os dois países. "O Brasil tem uma balança comercial deficitária com os Estados Unidos. Importamos mais do que exportamos e nem de longe ameaçamos a economia americana", afirmou.
- O Brasil importa mais dos EUA do que exporta, ou seja, tem uma balança comercial desfavorável.
- A disputa vai além do comércio: os EUA querem acesso a minerais raros brasileiros.
- Mesmo com a troca de presidente nos EUA, o Brasil deve continuar sendo pressionado.
- As exportações brasileiras para os EUA caíram 13% no primeiro semestre deste ano.
- O Brasil conseguiu vender mais para outros países, compensando parte das perdas.
Na avaliação de Zeina, parte da estratégia dos Estados Unidos está relacionada ao interesse em terras raras e minerais críticos brasileiros, o que amplia o poder de barganha norte-americano nas negociações internacionais. "Se eu estiver correta nessa leitura, pode mudar o presidente, mas o Brasil vai continuar sentindo essa pressão", disse.
Apesar do cenário, a economista ressalta que o impacto sobre a economia brasileira tende a ser menor do que em outros países, já que o Brasil tem baixa dependência das exportações em relação ao tamanho da economia e consegue redirecionar parte das vendas para novos mercados. Ela citou que, no primeiro semestre, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13%, enquanto os embarques para o restante do mundo cresceram em ritmo superior.
Para Zeina, a proximidade comercial entre Brasil e China também ajuda a explicar o endurecimento da política comercial norte-americana. Segundo ela, um dos objetivos dos Estados Unidos é conter o avanço econômico chinês e pressionar países que mantêm relações comerciais intensas com Pequim. "Talvez o endereço não seja exatamente o Brasil, mas o resultado é essa incerteza que se insere no país", afirmou.
A economista acrescenta que o desempenho das exportações brasileiras poderia ser ainda melhor caso o país tivesse uma rede mais ampla de acordos comerciais, o que ampliaria o acesso a mercados e reduziria a dependência de poucos parceiros comerciais.


Reprodução: CNN Internacional


