Os precatórios são dívidas que o governo é obrigado a pagar por decisão judicial. Eles oferecem retornos altos, mas o principal risco é a demora para receber o dinheiro.
Os precatórios são dívidas reconhecidas pela Justiça que estados, municípios ou a União precisam pagar após perderem um processo judicial. Em vez de esperar anos pelo recebimento, muitos credores optam por vender esse direito a investidores ou fundos especializados com desconto.
Na prática, quem compra um precatório adquire o direito de receber aquele valor no futuro. Quanto maior o desconto na compra e menor o tempo de espera pelo pagamento, maior tende a ser a rentabilidade do investimento.
- Precatórios são dívidas judiciais do governo, que podem ser compradas com desconto.
- O retorno do investimento depende muito do tempo que o governo leva para pagar.
- O principal risco não é o governo não pagar, mas sim a demora no pagamento.
- Esse tipo de investimento é mais indicado para quem tem experiência e paciência.
- Fundos de investimento em precatórios e tokens são formas de aplicar nesse mercado.
O tema foi destaque no quadro "Papo de Investidor", apresentado por Marilia Fontes no Resenha do Dinheiro desta semana.
Segundo a sócia-fundadora da Nord Investimentos, esse mercado tem ganhado espaço entre investidores por meio de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e produtos tokenizados lastreados em precatórios.
Apesar do potencial de retorno, Marilia alerta que o principal risco desse tipo de investimento não está, necessariamente, na capacidade de pagamento do governo, mas na incerteza sobre quando o dinheiro será recebido.
"Se um precatório é comprado com um grande desconto e o pagamento acontece rapidamente, o retorno pode ser muito elevado. Mas, se esse pagamento demora muitos anos, a rentabilidade acaba sendo bem menor do que o investidor imaginava", explica.
Embora os precatórios sejam corrigidos por atualização monetária e juros previstos na própria ação judicial, esses rendimentos não costumam ser o principal fator de ganho. O que mais influencia o retorno é o prazo até a quitação da dívida.
Por isso, antes de investir, é importante avaliar as estimativas de pagamento apresentadas pelos fundos e entender que elas podem não se concretizar.
"Quem está começando a investir e não conhece esse mercado deve ter cautela. É um investimento que exige análise e o retorno depende muito do tempo de pagamento", destaca.
Em geral, os precatórios são mais indicados para investidores com perfil mais experiente e horizonte de longo prazo, capazes de conviver com baixa liquidez e incertezas em relação ao prazo de recebimento.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o "Papai Financeiro", Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.


Notas de 200 reais retratadas em Brasília, 2 de setembro de 2020. REUTERS/Adriano Machado


