O IBGE afirma que o fenômeno climático El Niño pode afetar os preços dos alimentos, mas que ainda não é possível medir o impacto exato. O efeito vai depender das chuvas, das temperaturas e da produção agrícola.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmou nesta terça-feira (11) que o El Niño e as mudanças climáticas representam um risco importante para o futuro dos preços dos alimentos no Brasil. O gerente de pesquisa do instituto, Fernando Gonçalves, disse que ainda não é possível calcular exatamente esse efeito na inflação.
De acordo com Gonçalves, o El Niño altera os padrões de chuva e temperatura, o que pode prejudicar as plantações. O pesquisador explicou que será preciso acompanhar como o fenômeno vai se desenvolver, porque mudanças no clima podem afetar a produção e, depois, a oferta de alimentos.
- O El Niño muda o clima e pode atrapalhar as colheitas, aumentando o preço dos alimentos.
- Em 2024, o El Niño já encareceu produtos como café e carnes.
- Em julho de 2026, os preços de alimentos e bebidas caíram 0,67%.
- A inflação oficial do Brasil, o IPCA, ficou em 0,07% em julho de 2026.
- O grupo de alimentos no domicílio ficou 1,14% mais barato em julho.
Ao falar sobre o cenário atual, Gonçalves lembrou que em 2024 também houve El Niño, que afetou a alimentação, incluindo café e carnes. Para este ciclo, ele afirmou que a expectativa é de um El Niño forte e que o monitoramento será essencial para saber se a recente queda de preços de alguns alimentos pode continuar ou se vai mudar.
No comentário sobre o IPCA, o pesquisador afirmou que qualquer avaliação mais precisa neste momento seria especulativa. A leitura do instituto ocorre em um mês de queda dos preços de alimentação. Em julho de 2026, o grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,67% e contribuiu para que o IPCA ficasse em 0,07% no mês. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses voltou para baixo do teto da meta, depois de dois meses acima da marca.
Entenda a queda dos preços em julho
O resultado de julho foi influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14%. Já a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.
A avaliação do IBGE indica que o comportamento dos preços de alimentos seguirá sob acompanhamento à medida que o El Niño avance, em um contexto em que a inflação do grupo Alimentação e Bebidas recuou em julho, mas ainda depende da evolução do clima e de seus efeitos sobre a produção.


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