O BTG Pactual lançou um Fiagro que pode captar até R$ 10 bilhões, com a novidade de ter uma camada de segurança interna que absorve os prejuízos de inadimplência, protegendo os grandes investidores.
A inadimplência é atualmente a maior preocupação dos agentes do agronegócio. Bancos, gestoras de recursos e revendedores, todos que vendem a prazo no setor, operam com grande cautela devido aos riscos de pagamentos atrasados.
Nesse contexto, o BTG Pactual lançou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios do Agronegócio (Fiagro) que pode captar até R$ 10 bilhões, destinado apenas a investidores profissionais, com uma estrutura de segurança diferenciada em relação aos produtos tradicionais do mercado.
Além do nome do fundo, Fiagro BTG Pactual I Responsabilidade Limitada, a principal diferença é a existência de uma camada de proteção interna contra calotes.
Principais pontos da novidade
- O BTG Pactual cria um Fiagro de até R$ 10 bilhões focado em investidores profissionais e protegido contra inadimplência.
- O banco mantém 1% das cotas, sendo o primeiro a absorver eventuais prejuízos com atrasos de pagamento no fundo.
- A estrutura pode ser o maior do Brasil, com potencial de expansão até R$ 20 bilhões se houver segunda emissão.
- A proposta busca atrair capital institucional em um momento de alta cautela no agronegócio.
- O modelo é comparável ao recentemente lançado pelo Itaú, mas com proporções de proteção e retorno diferentes.
- O veículo terá 1%, ou até R$ 100 milhões, em cotas subordinadas, que serão detidas integralmente pelo próprio BTG Pactual.
- Essas cotas subordinadas são as primeiras a sofrer percas em caso de inadimplência dos recebíveis do fundo, o que protege os outros investidores.
- Ou seja, o banco assume os riscos iniciais de atrasos, tornando as cotas mais arriscadas, mas com potencial de lucro variável.
- As cotas seniores, mais seguras, serão vendidas a investidores profissionais, que possuem capital superior a R$ 10 milhões, incluindo bancos, seguradoras e instituições estrangeiras.
Para esses investidores, o BTG oferecerá duas opções de cotas seniores. A primeira tem liquidez diária a partir de 9 de dezembro, permitindo resgate quando for conveniente, com taxa de retorno de 92% do CDI, e vencimento em 11 anos.
A segunda opção é de vencimento fechado, com duração de 10 anos. Neste caso, o investimento não pode ser resgatado antes do prazo, só negociado no mercado secundário, e rende 97% do CDI.
O MegaFiagro do BTG pode crescer ainda mais. O prospecto permite uma segunda emissão do mesmo valor, o que elevaria a capacidade total do fundo para R$ 20 bilhões.
Assim, o produto se posiciona, logo no lançamento, como potencialmente o maior do gênero no Brasil. Apenas a primeira emissão já supera em R$ 1,5 bilhão os R$ 8,3 bilhões de todos os demais Fiagros anunciados neste ano.
Até então, o maior fundo era o Itauba Fiagro, lançado em agosto com objetivo de captar R$ 4,85 bilhões. O Itaú também manteve as cotas subordinadas, mas em proporção de pelo menos 4,5% do total, diferindo da estratégia do BTG.
As taxas de retorno do Itaú também variavam por série, com vencimentos de dois a cinco anos e rendimentos entre 91,5% e 93% do CDI.
Enquanto isso, os retornos do BTG se concentram em duas modalidades principais, com prazos maiores e taxas fixas de 92% e 97% do CDI.


Mesa de operações do BTG Pactual


