O preço médio do diesel nos EUA bateu recorde de US$ 5,85 por galão, impulsionado pela guerra com o Irã. Isso já pesa no transporte de mercadorias e no preço final dos produtos, especialmente alimentos.
O preço médio do diesel nos Estados Unidos bateu recorde nesta sexta-feira (4), chegando a US$ 5,85 por galão, por causa dos efeitos da guerra com o Irã no abastecimento de combustíveis no mundo. Essa alta já está pesando no custo do transporte e começa a chegar ao consumidor, com taxas extras nas entregas e preços mais altos, principalmente nos alimentos.
O diesel é muito usado em caminhões, máquinas agrícolas, barcos e trens. Por isso, o aumento do combustível afeta várias áreas. Os produtos mais atingidos são os alimentos perecíveis, como frutas, verduras, carnes e peixes, que precisam ser transportados e repostos com frequência.
- O preço do diesel subiu quase 56% desde o início da guerra, em fevereiro.
- O galão passou de US$ 3,76 para US$ 5,85.
- A gasolina também subiu, de US$ 3,20 para US$ 4,15.
- Alimentos como carnes e frutas já ficaram mais caros nos supermercados.
- Empresas como Amazon, UPS e FedEx já cobram taxas extras de transporte.
Aumento recorde do diesel
De acordo com a associação automobilística AAA, o diesel está quase 56% mais caro do que antes do começo da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro. Naquela época, a média nacional era de US$ 3,76 por galão. Nesse mesmo período, o petróleo subiu por causa de interrupções no abastecimento no Oriente Médio e de problemas na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Nesta sexta-feira, o barril de Brent estava acima de US$ 95, antes era cerca de US$ 70.
A gasolina também subiu, mas menos. O galão comum subiu para US$ 4,15, enquanto há um ano era US$ 3,20 e antes da guerra, US$ 2,98. Segundo a AAA, nunca a gasolina passou de US$ 4 no feriado do Dia do Trabalho.
Impacto nos preços dos alimentos
O impacto começa nos alimentos. Segundo a Independent Grocers Alliance, que representa 7,5 mil supermercados, o combustível corresponde a 15% a 30% do custo total dos alimentos. Em julho, os preços de alimentação nos supermercados americanos subiram 2,7% em comparação com o ano anterior. Pescados subiram 7% e frutas frescas, 4,9%.
David Ortega, professor de economia e política alimentar da Universidade Estadual de Michigan, disse que parte desse aumento é absorvida pelos contratos de frete que já existem e pelas margens dos varejistas. Segundo ele, quando os contratos são renovados e as taxas de combustível são aplicadas, uma parte maior do custo chega aos supermercados.
Algumas empresas já começaram a repassar esses custos. Em abril, a Amazon criou uma taxa extra temporária de 3,5% para combustível e logística para alguns vendedores. UPS, FedEx e o Correio dos EUA também aumentaram valores em algumas encomendas no começo da guerra, por causa do combustível mais caro.
Além do transporte de cargas, o diesel mais caro também afeta o transporte público e a geração de energia. Neil Atkinson, analista de energia e pesquisador do National Center for Energy Analytics, disse que há pressão no sistema global de refino, pois os derivados ficam mais caros e os estoques diminuem.


Imagem criada por inteligência artificial


