08 de setembro de 2026

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Três em cada dez MEIs são antigos assalariados, diz estudo

Economia Pejotização 08/09/2026 07:08 Folhapress noticiasaominuto.com.br

Estudo do Ministério do Trabalho revela que 30% dos microempreendedores individuais eram antigos funcionários com carteira assinada, gerando perdas bilionárias para a seguridade social.

Um levantamento realizado pelo Ministério do Trabalho mostra que cerca de um terço, ou 30%, dos microempreendedores individuais (MEIs) ativos no Brasil hoje em dia eram, antes, trabalhadores formais com carteira assinada.

De acordo com o órgão, cinco milhões de profissionais saíram do regime CLT para se tornar pessoas jurídicas entre janeiro de 2022 e março de 2026. Essa mudança geralmente aconteceu no mesmo mês ou no mês seguinte ao desligamento do emprego formal. Atualmente, o país conta com 16,75 milhões de pessoas enquadradas como MEI.

Impacto da Pejotização nas Finanças Públicas

Segundo a avaliação do governo, essa migração para o regime de empresa, um fenômeno conhecido como "pejotização", resultou em uma perda de R$ 105 bilhões na arrecadação de impostos entre janeiro de 2022 e julho de 2025.

Essa perda financeira ocorre porque as contribuições para a Previdência Social, o FGTS e o Sistema S diminuíram significantemente. Os números fazem parte de um estudo do Ministério do Trabalho, que utilizou dados próprios e informações da Receita Federal.

Para entender melhor o cenário, veja os principais pontos:

A Origem do MEI e Seus Objetivos

O MEI foi criado em 2008 com o objetivo de formalizar trabalhadores autônomos e informais. A intenção era reduzir a informalidade, garantir alguma contribuição para a aposentadoria e simplificar a burocracia.

Mudanças na Reforma Trabalhista

Em 2017, a Reforma Trabalhista permitiu que os MEIs assinassem contratos com empresas como prestadores de serviço. A condição era que não houvesse vínculo empregatício ou subordinação direta.

Por padrão, o MEI contribui com 5% do salário mínimo para o INSS. Paula Montagner, subsecretária do Ministério do Trabalho, aponta que, em 15 anos de existência, essa contribuição cobriu apenas três anos de aposentadoria para cada trabalhador.

O Problema da Contribuição Simbólica

"O problema é que é uma contribuição simbólica. O MEI pode optar por contribuições mais altas, mas a maioria das pessoas não faz. Contribui pelo básico, que é 5%", explica Montagner. Ela destaca que cabe ao trabalhador se planejar, mas o Estado perde benefícios.

Vínculo Disfarçado de Empregado

O governo suspeita que muitos desses MEIs continuam trabalhando como empregados: para uma única empresa, com horário fixo e tarefas específicas, mas com contrato de serviços.

Papel do eSocial e do STF

Os dados do estudo começaram a ser coletados em janeiro de 2022, quando o eSocial passou a exigir informações detalhadas de empresas. Em abril de 2025, o STF reconheceu a importância do tema da pejotização, o que gerou embates judiciais.

Suspensão e Retorno dos Processos

Em 2018, o STF já havia valido a terceirização. No entanto, em abril de 2025, os processos de pejotização foram paralisados na Justiça do Trabalho. Em junho de 2026, o ministro Gilmar Mendes permitiu a retomada dos casos de primeira e segunda instância.

Perdas Futuras Estimadas

Segundo a Receita Federal, se a pejotização for validada de forma ampla pelo STF, o Brasil pode perder R$ 30 bilhões em arrecadação em 2027.

Estratégia das Empresas Contratantes

Especialistas apontam que a modalidade PJ é usada por empregadores para reduzir custos. Nelson Marconi, da FGV, estima um funcionário CLT custa 60% mais caro do que um PJ.

Impacto no Salário dos Trabalhadores

Embora profissionais de nível superior possam ganhar mais no PJ, para quem ganha menos, o salário bruto de um CLT costuma ser superior. A empresa justifica o ganho com impostos menores, mas isso enfraquece o sistema de segurança social.

Risco Previdenciário

Marconi calcula que metade da força de trabalho assalariada vire MEI, a perda para o governo seria de R$ 384 bilhões anuais. Isso preocupa a equipe econômica de Lula, que vê um déficit previdenciário maior.

Propostas de Nova Tributação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que empresas que usam o regime PJ como regra paguem uma taxa extra para a Previdência. Isso compensaria a falta de vínculos CLT.

Visão da Campanha de Lula

Durigan sugeriu alterar a tributação das empresas em um eventual novo mandato, visando reduzir custos de contratação corretos e desencorajar a pejotização irregular.

Posição da Campanha de Flávio Bolsonaro

A equipe de Flávio Bolsonaro criticou o governo por focar em arrecadação e aumentar impostos. Eles defendem a liberdade de contratação e a redução da carga tributária.

Proposta de Kim Kataguiri

O deputado Kim Kataguiri, da campanha de Renan Santos, quer um novo modelo de previdência. Ele considera a ideia de taxar quem contrata autônomos como uma proposta ultrapassada.

Crítica de Romeu Zema

O assessor de Romeu Zema, do Novo, argumenta que a arrecadação está batendo recordes e o problema é o excesso de gastos do governo, não a falta de imposto.

A equipe de Ronaldo Caiado não comentou o tema.