09 de setembro de 2026

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Enel é punida por falhas graves no apagão de São Paulo

Economia Justiça 09/09/2026 15:14 Flávia Albuquerque - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Tribunail de Justiça de São Paulo decidiu que a concessionária Enel é responsável pelos prejuízos do apagão de dezembro de 2025, rejeitando o argumento de que a chuva era uma força maior que não podia ser controlada.

A Justiça de São Paulo decidiu que a Enel Distribuição São Paulo cometeu erros graves durante o apagão histórico ocorrido em 9 e 10 de dezembro de 2025, provocado por um ciclone. Mais de 2 milhões de pessoas ficaram sem luz e a empresa não conseguiu justificar sua demora no conserto.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) entrou com uma ação judicial para cobrar a empresa. A decisão do tribunal é importante porque derruba a defesa da Enel, que tentava dizer que o clima ruim era culpa exclusiva da natureza e que isentaria a companhia de qualquer erro.

  • Mais de 2 milhões de consumidores ficaram sem energia elétrica.
  • Algumas famílias ficaram sem luz por até 6 dias após a tempestade.
  • A maior falha durou 142,8 horas, quase 6 dias inteiros.
  • 46% das quebras levaram mais de 24 horas para serem corrigidas.
  • A Enel admitiu usar 1,6 mil equipes, mas a Justiça achou insuficiente.

A responsabilidade da empresa perante a tempestade

O juiz entendeu que furacões e chuvas fortes fazem parte dos riscos previsíveis para quem trabalha com energia elétrica em grandes cidades. Portanto, a empresa não pode usar isso como desculpa para não se preparar.

Segundo o Ministério Público, a Enel falhou no planejamento e na forma como lidou com a situação. A falta de estrutura adequada foi o principal motivo para que o problema ficasse tão grande e duradouro.

Foram listados vários problemas operacionais. A empresa concentrou todos os trabalhadores no dia útil.

Erros de gestão e manutenção da rede elétrica

Outras falhas graves incluíram a falta de funcionários à noite e na madrugada.

Também houve pouca utilização de caminhões grandes e de equipes preparadas para obras difíceis. O atendimento foi considerado fraco.

Por fim, a poda das árvores perto dos fios não foi feita de forma correta.

Os dados mostram que, embora a chuva tenha iniciado o problema, a demora foi causada pela má gestão.

Números oficiais das quebras de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) registrou 6.715 ocorrências de falta de energia em 10 de dezembro. Isso significa que 3.056 problemas, ou 46% do total, demoraram mais de um dia para resolver.

Essas falhas atingiram cerca de 759 mil residências e empresas. Um dos piores casos durou 142,8 horas, ou seja, seis dias sem luz.

A Justiça explicou que esses números provam que a empresa não agiu rápido o suficiente.

A defesa da Enel e o comparecimento das equipes

A Enel afirmou que sua resposta foi boa para um evento tão forte. Eles disseram que o vento estava muito forte por dois dias seguidos.

A empresa comparou com anos anteriores e disse que restabeleceu a luz para 2,5 milhões de clientes em 9 horas. Em 24 horas, 80% dos clientes já tinham luz de volta.

Foram usadas 1,6 mil equipes durante o dia. A empresa alega que é mais seguro trabalhar de dia do que à noite no escuro.

Ela disse que usou 25% mais equipes do que o plano exigia. A companhia também afirmou que seus indicadores têm melhorado nos últimos três anos.