17 de setembro de 2026

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Bancos e sindicatos reclamam de corte pequeno na Selic

Economia Selic 17/09/2026 08:30 Luciano Nascimento/Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros foi vista como insuficiente por entidades industriais e trabalhistas, que pedem mais alívio para empresas e famílias.

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, foi considerada insuficiente pelo setor industrial e pelos sindicatos. As representações chamam a decisão de tímida e afirmam que ela não melhora a vida financeira de quem empreende ou consome.

A definição saiu nesta quarta-feira (16), após reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, do Banco Central. A taxa caiu de 14% para 13,75% ao ano.

Principais pontos da decisão

  • Entidades criticam o corte menor que o esperado.
  • Inflação desacelera e se aproxima da meta.
  • Juros reais ainda estão bem altos no país.
  • Setor da construção pede estabilidade contínua.
  • Sindicatos alertam para impacto no emprego.

A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, apontou excesso de cautela do Banco Central. Eles notaram que a inflação já está em 4,22%, num cálculo de 12 meses até agosto, e perto do alvo oficial de 3% ao ano.

Há trajetória consistente de desaceleração... indicando convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano, diz a CNI em nota.

O chefe da confederação, Ricardo Alban, elogiou a continuidade da queda, que é a quinta seguida. Ele afirmou que manter juros muito altos custa caro demais para a economia. Segundo ele, há margem para cortar mais sem prejudicar o controle da inflação.

Apesar do corte, os juros ainda são estritos. Com a Selic em 13,75%, o rendimento real fica perto de 9%. Isso está quatro pontos acima do nível neutro estimado pelo BC, que é de 5% ao ano.

Reação de sindicatos e trabalhadores

A CUT considerou o movimento positivo, mas muito pequeno diante do peso dos juros no Brasil. Neiva Ribeiro, da CUT e do sindicato bancário de São Paulo, explicou que a Selic define o custo do crédito. Quando ela cai, empréstimos ficam mais baratos, ajudando famílias e negócios.

A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos... abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato, destaca Neiva Ribeiro.

Ela acredita que a freada nos preços permite cortes maiores. Juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos, afirmou, reforçando o benefício para o orçamento público.

A Força Sindical viu o corte como um balde de água fria. A entidade teme que, no fim do ano, a economia fique sem fôlego.

Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo..., disse a central.

Para o sindicato, os juros altos concentram renda nos banqueiros e atrapalham a produção de empregos. Essa política... diminui a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula os investimentos, concluíram.

Desafio para a construção civil

A CBIC aprovou o corte, porém exigiu continuidade. A entidade avisou que os juros ainda são altos, gerando risco à retomada de compras no setor.

Para Eduardo Almeida, presidente da CBIC, a taxa atual é um dos maiores do mundo. Isso assusta quem trabalha com obras, pois exige muito crédito e planejamento de longo prazo.

Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022... Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, afirmou Almeida.