Bancos, operadoras e fabricantes de celulares já têm recursos como biometria, bloqueio remoto e alertas de compras suspeitas
Segundo o IBGE, 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais usaram a internet em 2025, um aumento de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Com isso, operadoras de telefonia, fabricantes de celulares e bancos estão oferecendo mais ferramentas de segurança digital para os clientes, principalmente para os idosos, que são alvos constantes de golpes online.
A aposentada Ana Helena Almeida, de 62 anos, diz que já perdeu a conta de quantas vezes o cartão de crédito dela foi clonado. Em uma dessas vezes, o banco ligou para confirmar uma compra suspeita feita em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, enquanto ela estava em Jacarepaguá.
- No Brasil, 74,5% dos idosos usam internet, segundo o IBGE.
- Golpes digitais são comuns contra idosos, como clonagem de cartão.
- Bancos são obrigados a devolver dinheiro em caso de fraude no sistema.
- Celulares modernos têm biometria e bloqueio remoto para proteger dados.
- Operadoras como Vivo e Tim oferecem pacotes de segurança contra golpes.
"Já fizeram uma compra no meu cartão no valor de R$ 500. Eu entrei no aplicativo do banco e fiz a contestação. Avaliaram o caso em menos de 15 dias e devolveram o valor, além de me enviarem outro cartão", conta Ana Helena.
Para se proteger, Ana Helena contratou um seguro que cobre perda, roubo e extravio de cartão, além de transferências acima do valor que ela costuma movimentar. Mas casos como o dela levantam uma dúvida: até que ponto os bancos podem cobrar por proteção extra Para Demetrius dos Santos Ramos, professor da Estácio e especialista em Direito do Consumidor, seguros contra roubo ou fraude são contratos voluntários, previstos pela Lei 15.040, de 2024. Ou seja, podem ser cobrados, mas não podem ser impostos como garantia de proteção.
"Já existem níveis mínimos de segurança que os bancos devem seguir, sem cobrar nada por isso. Se não cumprirem, podem ser responsabilizados pelos prejuízos causados por falhas internas", afirma o professor.
Direitos do consumidor em caso de golpe
De acordo com Ione Amorim, economista em serviços financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a lei diz que cada setor responde pelas falhas da própria atividade. Ela explica que os bancos têm obrigação de devolver o dinheiro ou estornar o crédito quando o sistema de segurança não detecta uma transação suspeita. A instituição precisa provar que o sistema era seguro ou que o cliente teve culpa exclusiva não o contrário.
Já as operadoras de telefonia são responsáveis quando o golpe envolve clonagem de chip. Se aprovarem uma linha nova para um criminoso sem confirmar a identidade, a culpa é da empresa.
"A única obrigação da fabricante é garantir que os recursos de segurança do celular funcionem, como bloqueio à distância e senha de tela", explica Ione.
Se o celular for roubado e o criminoso descobrir a senha sozinho, a marca não responde pelo prejuízo.
Ferramentas de proteção oferecidas pelas empresas
- Motorola: a ferramenta Moto Secure oferece a Pasta Segura, que guarda aplicativos e conteúdos sensíveis em área protegida por senha, biometria ou PIN. Também tem Detecção de Phishing, que usa IA para identificar links e sites falsos, e o Scan de Segurança, que verifica vulnerabilidades. O Bloqueio Automático trava o aparelho em situações não confiáveis, e há Proteção contra Malware. A ativação desses recursos depende do usuário ou de um familiar.
- Samsung: a empresa protege os celulares Galaxy com o Samsung Knox, que criptografa dados biométricos, como impressão digital e reconhecimento facial. Em modelos mais novos, como Galaxy S, Z e alguns da série A, há o Knox Vault, que guarda senhas e dados bancários separados do resto do aparelho, dificultando o acesso em caso de invasão. O Samsung Pass permite entrar em sites e aplicativos usando digital ou rosto, sem digitar senha. Esses recursos precisam ser ativados pelo usuário ou familiar.
- Nubank: o Modo Rua limita transações quando o cliente está fora de uma rede wi-fi segura e exige validação facial para liberar acesso. O Alerta de Golpe avisa se a conta de destino de um Pix ou transferência tem indícios suspeitos. As Defesas Inteligentes monitoram operações e podem pedir confirmação extra ou bloquear transações. O site Me Roubaram permite bloquear celular e cartões rapidamente em caso de furto, usando o mesmo login do app.
- Itaú: o app reúne na área de Segurança gestão de dispositivos autorizados, senhas, segurança de cartões, ajuste de limites e ajuda de emergência 24h. O Modo Protegido adiciona camadas extras de segurança para transações fora de locais marcados como seguros. O Alerta Pix identifica transações de risco antes de concluí-las.
- C6 Bank: o banco exige biometria facial em operações de risco, como transferências altas ou fora do padrão, e desativa o aplicativo se a imagem não corresponder. Desde 2022, oferece a ferramenta Locais Seguros, que permite cadastrar endereços de confiança e restringir operações fora deles, incluindo ocultar investimentos, extrato e limite do cheque especial. Essas medidas não precisam ser configuradas pelo cliente.
- Banco do Brasil: oferece o BB Code, que usa QR Code para dar mais segurança a pagamentos e transferências feitas pelo computador. Ele funciona independente do Pix e permite confirmar operações pelo celular, mesmo sem internet. Também têm atendimento especial para clientes idosos após contestação de fraude, pelo telefone 4004-0001 ou 0800-729-0001.
- Santander: o banco tem a Central de Segurança no app, com Camadas de Segurança, um painel que mostra o quanto a conta está protegida. O botão Reportar Suspeitas direciona para canais oficiais em casos de golpe, fraude ou perda de cartão/celular. O Bloqueio Imediato pode ser acionado para ajudar um familiar. A Gestão de Dispositivos permite ver e controlar quais aparelhos têm acesso à conta. A central também tem conteúdo educativo. Para acessar, abra o app e vá em Menu > Central de Segurança.
- Tim: a operadora oferece o TIM Segurança Digital, um pacote de proteção online com antivírus e segurança para redes wi-fi. Pode estar incluído em planos TIM Pós, TIM Black e TIM Controle, ou ser contratado separadamente.
- Claro: a operadora mantém conteúdos educativos em linguagem simples, com orientações para reconhecer golpes, identificar comunicações oficiais e adotar hábitos seguros. Os temas incluem cuidados com WhatsApp e Instagram, identificação de fraudes e proteção contra softwares maliciosos, disponíveis no Portal de Segurança, Portal de Acessibilidade e no canal do YouTube.
- Vivo: a plataforma Modo Seguro permite apagar informações pessoais, bloquear a linha e impedir a reutilização do aparelho pelo bloqueio de IMEI. A Proteção Rua restringe o uso de aplicativos pré-definidos quando o cliente sai de uma área marcada como segura. O Vivo AntiSpam identifica e bloqueia chamadas em massa e fraudulentas. Desde 2012, o programa Vivo Guru orienta clientes nas lojas físicas.


Uso de internet avança no país entre idosos Foto: Agência Brasil/Joédson Alves


