Um ataque de drone atingiu um tribunal comunitário no Darfur do Norte, matando ao menos 35 pessoas. Autoridades locais ligadas às Forças de Apoio Rápido dizem que o número de mortos subiu para 37. O grupo Emergency Lawyers culpa o Exército sudanês pelo bombardeio.
Um ataque com drone contra um tribunal comunitário em Garra al-Zawaya, no estado do Darfur do Norte, matou pelo menos 35 pessoas neste domingo, segundo o grupo independente Emergency Lawyers.
- O ataque ocorreu por volta do meio-dia, quando moradores estavam em audiências locais.
- O grupo Emergency Lawyers responsabiliza o Exército sudanês.
- Autoridades ligadas às Forças de Apoio Rápido falam em 37 mortos e 50 feridos.
- Em outubro, as Forças de Apoio Rápido tomaram a cidade de El-Fasher, reduto do Exército.
- A guerra no Sudão já deslocou milhões de pessoas e causou uma grave crise de fome.
A organização, que acompanha violações cometidas desde o início da guerra no Sudão, afirmou que o bombardeio ocorreu por volta do meio-dia, quando moradores estavam reunidos para acompanhar audiências relacionadas a disputas locais. O prédio, usado tradicionalmente para resolver conflitos comunitários e tribais, também ficou danificado.
O Emergency Lawyers responsabilizou o Exército sudanês pelo ataque. Até o momento, as forças regulares não comentaram a acusação.
Uma testemunha ouvida pela agência France-Presse afirmou que quatro líderes tribais e dois comandantes das Forças de Apoio Rápido estavam entre os mortos. A pessoa pediu anonimato por razões de segurança.
O governo autoproclamado ligado às Forças de Apoio Rápido classificou o episódio como um crime horrível e informou que 37 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas.
Garra al-Zawaya fica nas proximidades de Kabkabiya, a cerca de 150 quilômetros a oeste de El-Fasher. A cidade era o último reduto do Exército no Darfur antes de ser tomada pelas Forças de Apoio Rápido durante uma ofensiva em outubro do ano passado.
A guerra entre o Exército e o grupo paramilitar começou em abril de 2023 e dividiu o país em áreas de influência. As forças regulares controlam principalmente o norte, o leste e o centro, enquanto as Forças de Apoio Rápido dominam grande parte do Darfur e regiões do sul.
O conflito já provocou dezenas de milhares de mortes e deslocou milhões de pessoas. As Nações Unidas classificam a situação humanitária no Sudão como a mais grave crise de fome do mundo.
Após conquistar El-Fasher, as Forças de Apoio Rápido ampliaram o controle sobre o Darfur. O grupo tem origem nas milícias Janjawid, acusadas de atrocidades na região no início dos anos 2000.
Investigadores da ONU afirmaram que a violência registrada durante o cerco e a tomada de El-Fasher apresenta características de genocídio.
Os ataques com drones se tornaram mais frequentes nos últimos meses. Segundo as Nações Unidas, mais de mil civis morreram em ações desse tipo apenas nos cinco primeiros meses do ano.
Na semana passada, após perder uma rodovia estratégica entre Cartum e El-Obeid, o comandante das Forças de Apoio Rápido, Mohamed Hamdan Daglo, disse em vídeo que seus combatentes poderiam se considerar livres de qualquer limitação na guerra contra o Exército.
A ONU também alertou para o risco de novas atrocidades em El-Obeid e em outras áreas do Kordofan. A cidade tem sido alvo de ataques intensos com drones, enquanto cresce o temor de uma ofensiva terrestre e de um novo bloqueio.
Os dois lados são acusados de crimes de guerra, incluindo ataques indiscriminados contra civis. As Forças de Apoio Rápido também enfrentam denúncias de violência sexual sistemática e saques.


© Lusa


