07 de agosto de 2026

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Espanha mobiliza equipes para identificar e enterrar imigrantes mortos em Ceuta

Mundo Imigração 07/08/2026 14:02 Folhapress / Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

A maioria será enterrada em território espanhol nos próximos dias, informaram as autoridades. Dos que não tiveram a identidade confirmada, as equipes coletaram impressões digitais e amostras de DNA e continuarão trabalhando para associar os corpos aos nomes e, posteriormente, aos familiares.

A polícia e especialistas forenses locais mobilizaram equipes adicionais para tentar identificar os corpos de cerca de 80 migrantes encontrados após a entrada massiva da semana passada no exclave espanhol de Ceuta.

A maioria será enterrada no território espanhol nos próximos dias, informaram as autoridades. Dos que não tiveram a identidade confirmada, as equipes coletaram impressões digitais e amostras de DNA e continuarão trabalhando para associar os corpos aos nomes e, posteriormente, aos familiares.

  • Cerca de 80 corpos foram encontrados após a entrada massiva de migrantes em Ceuta.
  • As autoridades espanholas estão usando impressões digitais e DNA para identificar os mortos.
  • Muitos morreram de parada cardiorrespiratória, comum em afogamentos.
  • Famílias estão nas redes sociais em busca de informações.
  • A Espanha também negocia com a Itália sobre controles de fronteira.

O fluxo de pessoas e as mortes decorrentes sobrecarregaram a equipe forense de cinco pessoas de Ceuta, que havia lidado com apenas 76 óbitos durante todo o ano passado. Oito profissionais extras foram deslocados do continente espanhol, e um necrotério maior foi instalado em um antigo hospital militar.

"Enfrentamos um número de vítimas que excedeu nossa capacidade operacional", disse o diretor da equipe, Manuel Aparcero, que foi chamado para atestar as mortes dos migrantes à medida que eram trazidos para a praia em 30 de julho.

Enquanto sua equipe continua o trabalho uma semana após o ocorrido, famílias publicam mensagens nas redes sociais e acompanham o noticiário em busca de informações sobre seus entes.

Jamal Bahloul, 26, contou que seu irmão Mohamed, 22, um trabalhador da construção civil, saiu de casa em Tânger e fez o último contato em 30 de julho. "Não tivemos mais notícias", disse Bahloul. "Não sabemos se ele está em Ceuta ou se morreu."

Outros familiares estão se reunindo no lado marroquino da fronteira para cobrar respostas das autoridades e visitar necrotérios locais. Cerca de 72 mil pessoas entraram ilegalmente em Ceuta vindo do Marrocos em um período de 24 horas, segundo estimativas espanholas.

As autópsias revelaram que muitas das 80 pessoas cujos corpos foram trazidos para a costa espanhola morreram de parada cardiorrespiratória - uma característica comum em casos de afogamento, segundo os patologistas.

Apenas quatro foram identificadas por meio de impressões digitais já constantes em bancos de dados espanhóis ou por amostras de DNA, e testes estão sendo realizados para confirmar a identidade de outras quatro, de acordo com um comunicado divulgado por um tribunal local.

A polícia espanhola compartilhou as impressões digitais de todos os mortos com as autoridades marroquinas e abriu um posto junto à fronteira onde familiares podem registrar o desaparecimento e fornecer amostras de DNA.

Os esforços para identificar os migrantes estão sendo realizados sob um protocolo para acidentes com múltiplas vítimas, geralmente aplicado a acidentes de trânsito ou desastres naturais que afetam principalmente espanhóis.

Todos os corpos dos migrantes serão sepultados em Ceuta nos próximos dias, a menos que um familiar solicite o traslado de um corpo já identificado para o país de origem, disse o chefe dos legistas. Os corpos também poderão ser posteriormente exumados para transferência para o exterior, mediante autorização judicial.

Após as autópsias, as equipes de medicina legal têm realizado a limpeza dos corpos em conformidade com os ritos muçulmanos, acrescentou Aparcero. "Respeitamos a ideologia e a religião deles."

O governo espanhol ainda afirmou nesta sexta que espera transferir alguns imigrantes menores de idade de centros de acolhimento superlotados em Ceuta para o continente dentro de algumas semanas.

A maioria dos imigrantes que cruzaram a fronteira já retornou para o Marrocos, mas centenas de menores desacompanhados permaneceram no território espanhol. A ministra da Juventude, Sira Rego, afirmou que 1.342 menores já foram cadastrados e que mais funcionários serão contratados para auxiliar nos esforços.

Ela reconheceu as "imagens dolorosas" de crianças dormindo nas ruas de Ceuta e disse que duas escolas foram abertas e que mais espaços serão avaliados como possíveis centros de acolhimento. "Acho que pode ser apenas uma questão de algumas semanas até começarmos a vê-los sendo transferidos e acolhidos no continente", disse Rego.

"Estamos priorizando meninos e meninas com menos de 13 anos", disse ela, descrevendo a situação em Ceuta como ainda desafiadora, mas "voltando gradualmente à normalidade".

Em paralelo às tratativas com os imigrantes e seus familiares, o governo espanhol também alertou a Itália que implementará "medidas proporcionais" se Roma não retirar antes do final deste domingo os controles na fronteira com a Espanha implementados após o início da crise migratória.

"Instamos o governo italiano a retificar esta situação, a pôr fim aos controles e a tratar os espanhóis como todos os outros cidadãos europeus. Caso não o faça, a Espanha será obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos", afirmou o governo em comunicado.