08 de agosto de 2026

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EUA seguem conversando sobre mísseis Patriot para Ucrânia, dizem fontes

Mundo Guerra 08/08/2026 08:21 Jonathan Landay e Andrea Shalal, da CNN cnnbrasil.com.br

As negociações para que a Ucrânia possa fabricar mísseis essenciais de defesa continuam, mesmo depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, mostrou dúvidas sobre o acordo. A informação é de quatro fontes ligadas às conversas.

Os Estados Unidos seguem avançando nas negociações para permitir que a Ucrânia produza mísseis interceptadores Patriot, que Kiev considera essenciais para se defender dos ataques russos, mesmo após o presidente Donald Trump demonstrar dúvidas sobre esse acordo, segundo quatro fontes familiarizadas com as discussões.

As conversas incluem a possibilidade de a Ucrânia fabricar alguns componentes dos mísseis, que seriam enviados para montagem final em outro país da Europa, acrescentaram as fontes.

  • Os EUA e a Ucrânia estão conversando sobre a fabricação de mísseis Patriot em território ucraniano.
  • O plano é que a Ucrânia produza algumas partes dos mísseis e a montagem final seja feita em outro país, como a Alemanha.
  • Trump demonstrou dúvidas sobre o acordo, mas as negociações continuam.
  • Kiev quer os mísseis para se proteger de ataques russos, mas pode levar mais de um ano para recebê-los.
  • Uma alternativa é a produção de uma versão mais barata do míssil, o PAC-3 ACE.

Kiev busca adquirir mais unidades do PAC-3, a versão mais moderna do míssil Patriot e uma das poucas armas capazes de interceptar os mísseis balísticos que a Rússia vem lançando contra a Ucrânia em número cada vez maior.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou no sábado (1º) que o país ficou sem interceptadores Patriot e que apenas um dos 27 mísseis balísticos disparados por Moscou naquele dia foi abatido.

Durante um encontro com Zelensky em Ancara, na Turquia, no mês passado, Trump afirmou que os Estados Unidos concederiam à Ucrânia uma licença para fabricar os mísseis PAC-3, o que representaria um reforço importante para Kiev.

No entanto, na semana passada, Trump pareceu recuar dessa posição após uma reunião considerada difícil com Zelensky na Casa Branca, segundo duas das fontes.

O presidente disse a jornalistas que os Estados Unidos não haviam concordado em permitir que a Ucrânia produzisse mísseis Patriot e que o país precisava ser "muito cuidadoso ao permitir que alguém os fabrique".

Segundo três das fontes, os pedidos de Zelensky para produzir interceptadores em território ucraniano haviam sido, em grande parte, deixados de lado por Washington durante a guerra, devido a preocupações de segurança levantadas por executivos da indústria de defesa e autoridades militares dos EUA.

Agora, o embaixador dos Estados Unidos na Otan, Matthew Whitaker, lidera os esforços para chegar a um acordo. No mês passado, ele viajou a Kiev para discutir o tema e avaliar alternativas com autoridades ucranianas e representantes da indústria de armamentos, disseram as quatro fontes.

"Nenhuma ordem foi dada para interromper as discussões", afirmou uma das fontes, acrescentando que as negociações continuam envolvendo fabricantes de armas dos EUA, autoridades militares e outros participantes.

A Casa Branca se recusou a comentar o assunto.

Entre as opções em análise estão a fabricação de componentes dos mísseis Patriot na Ucrânia, com envio à Alemanha para montagem final; a inclusão da Ucrânia em um programa já existente de produção de interceptadores Patriot entre os Estados Unidos e a Europa; e a autorização para que Kiev produza uma versão mais barata do PAC-3, segundo as quatro fontes.

As fontes falaram sob condição de anonimato para comentar livremente as discussões internas do governo.

Segundo um porta-voz de Whitaker, a visita do enviado a Kiev no mês passado teve como objetivo "explorar oportunidades de colaboração em inovações para o campo de batalha, como drones, que beneficiarão as forças armadas dos Estados Unidos", sem mencionar especificamente a iniciativa relacionada aos mísseis Patriot.

Um alto funcionário do governo Trump afirmou que os Estados Unidos estão "explorando diversos caminhos potenciais para uma futura cooperação industrial na área de defesa com a Ucrânia", acrescentando que qualquer acordo deverá priorizar a proteção da tecnologia norte-americana.

A embaixada da Ucrânia em Washington não respondeu ao pedido de comentário.

Mudança surpresa para Trump

O tom cético de Trump em relação a um acordo sobre os mísseis Patriot, uma aparente mudança de posição em relação ao apoio que havia demonstrado para conceder à Ucrânia uma licença de produção, surpreendeu muitos, incluindo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Em uma ligação telefônica posterior com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, Zelensky reforçou a necessidade de seu país manter sua capacidade de defesa. Segundo uma das fontes, Vance o tranquilizou ao afirmar que os acordos firmados entre os presidentes seriam respeitados.

Entre as alternativas em análise, a mais viável seria fabricar componentes dos mísseis na Ucrânia e realizar a montagem final na Alemanha, afirmou uma autoridade norte-americana familiarizada com o assunto. Um modelo mais antigo do Patriot já é produzido em território alemão, e a versão mais avançada, o PAC-3, também deverá passar a ser fabricada no país.

Separadamente, segundo as fontes, a Ucrânia também poderá integrar o programa do novo interceptador Patriot de menor custo da Lockheed Martin, o míssil PAC-3 Adapted Capability Effector (ACE), anunciado no mês passado.

Mesmo que a Ucrânia consiga um acordo para fabricar interceptadores Patriot, o país só começaria a receber os novos mísseis em um prazo de um ano ou mais. Até lá, continuará precisando de outros tipos de mísseis para atender às necessidades imediatas e tem pressionado seus aliados a transferirem parte de seus estoques.

A ex-embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos, Olha Stefanishyna, afirmou na semana passada que Kiev também estuda a compra de interceptadores PAC-3 no longo prazo, além da possibilidade de trocar posições na fila de entrega com outros países para receber os equipamentos mais rapidamente.

Segundo ela, a Lockheed Martin está totalmente envolvida nas negociações e trabalha para enviar uma equipe à Ucrânia em breve.

A Lockheed Martin não respondeu ao pedido de comentário sobre o assunto.

Autoridades norte-americanas afirmam que o licenciamento da produção de armamentos dos Estados Unidos na Europa vem sendo discutido ativamente desde que a invasão russa da Ucrânia, em 2022, revelou lacunas nos arsenais europeus. Alguns acordos já foram fechados.

Essas autoridades alertam, porém, que abrir novas linhas de produção de componentes não é um processo simples. Em geral, a fabricação só começa entre três e sete anos após a assinatura de um acordo de licenciamento.

Os estoques mundiais dos sofisticados mísseis Patriot diminuíram desde a guerra envolvendo o Irã, com unidades inicialmente destinadas à Ucrânia sendo redirecionadas para as Forças Armadas dos Estados Unidos e para aliados norte-americanos no Golfo.

A expectativa de Kiev é que um acordo de produção permita reconstruir gradualmente seu arsenal ao longo do tempo.