17 de agosto de 2026

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Irã ameaça EUA com surpresas estratégicas e postura ofensiva

Mundo Geopolítica 17/08/2026 07:02 Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Guardas Revolucionários do Irã afirmam que vão adotar uma estratégia militar mais agressiva contra os Estados Unidos, inclusive com possíveis ataques surpresa. A declaração acontece em meio à disputa pelo Estreito de Ormuz, uma rota vital para o petróleo mundial, e com o fim do prazo de um acordo temporário entre os dois países.

O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos nesta segunda-feira (17) ao anunciar uma mudança na forma como pretende conduzir suas ações militares. Um alto integrante da Guarda Revolucionária afirmou que, mesmo em operações de caráter defensivo, as Forças Armadas do país passarão a adotar uma postura mais ofensiva diante de eventuais ameaças.

O que você precisa saber:

  • O Irã prometeu uma postura militar mais agressiva contra os EUA, mesmo em operações de defesa.
  • A briga é pelo controle do Estreito de Ormuz, por onde passa muito do petróleo do mundo.
  • Um acordo temporário entre os dois países terminou, aumentando o risco de novos ataques.
  • Autoridades iranianas ameaçam com guerra ofensiva se suas condições não forem cumpridas.
  • Os EUA dizem que enfraqueceram o Irã, mas reconhecem que ele ainda pode atacar.

A declaração foi feita pelo general Yadollah Javani, responsável por assuntos políticos na Guarda Revolucionária, durante entrevista à televisão estatal iraniana. Segundo ele, Teerã trabalha em uma reorganização e modernização de sua doutrina de defesa, com mudanças destinadas a ampliar a capacidade de antecipação diante dos adversários.

"O inimigo deve saber que não pode realizar ataques de surpresa nem nos pegar desprevenidos. Talvez deva esperar surpresas estratégicas", declarou Javani.

De acordo com o general, as forças iranianas deverão adotar abordagens consideradas "transformadoras". A orientação está alinhada a recentes mudanças promovidas na cúpula militar pelo líder supremo Mojtaba Khamenei, que reforçou posições estratégicas com integrantes da Guarda Revolucionária.

Impasse sobre o Estreito de Ormuz aumenta tensão

A nova mensagem de Teerã ocorre em um momento de forte disputa com Washington pelo controle e pela navegação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o mercado mundial de energia. Antes do atual conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente passava pela região.

Autoridades iranianas afirmam que a passagem marítima está sob controle de Teerã e sustentam que navios não podem atravessar o estreito sem autorização do país. Os Estados Unidos rejeitam essa posição e mantêm forças navais na região com o argumento de garantir a liberdade de navegação.

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington tinha "controle total" do Estreito de Ormuz. A declaração foi imediatamente contestada por autoridades iranianas, que reiteraram que não pretendem reabrir completamente a passagem enquanto as condições acertadas anteriormente com os americanos não forem cumpridas.

Acordo entre Irã e EUA entrou em colapso

Irã e Estados Unidos haviam chegado a um entendimento provisório em junho para interromper as principais operações militares e tentar avançar nas negociações sobre a segurança do Golfo e a circulação de navios por Ormuz. O acordo, porém, começou a ruir poucas semanas depois.

As duas partes passaram a se acusar mutuamente de descumprimento. O Irã retomou ataques limitados contra embarcações que, segundo Teerã, violavam as condições acertadas, enquanto os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos no sul iraniano com o objetivo declarado de reduzir a capacidade do país de atacar navios na região.

Nesta segunda-feira termina o período de 60 dias previsto no memorando assinado em junho para tentar alcançar um acordo definitivo. Há informações contraditórias sobre uma possível extensão. Fontes do Paquistão afirmaram que os dois países haviam concordado em prolongar o entendimento, enquanto Teerã declarou que não ocorreram negociações para ampliar formalmente o prazo.

Irã fala em "guerra ofensiva" se condições não forem cumpridas

O discurso de Javani não é um episódio isolado. Mohammad Mokhber, conselheiro do líder supremo iraniano, já havia afirmado que a estratégia de Teerã poderia passar para uma "guerra ofensiva" caso as exigências do país não fossem atendidas.

Mokhber defendeu ainda uma nova arquitetura regional de segurança menos dependente da presença militar dos Estados Unidos e associada a um mecanismo liderado pelo Irã para a circulação no Estreito de Ormuz.

Do outro lado, o Comando Central dos Estados Unidos afirma ter reduzido significativamente a capacidade militar iraniana durante os meses de conflito. Em documento apresentado ao Senado americano, o Centcom sustenta que as operações atingiram sistemas de mísseis, drones, estruturas de defesa aérea e parte da capacidade naval do Irã. Washington, porém, reconhece que Teerã ainda mantém condições de realizar ataques e ações de menor escala.

As declarações desta segunda-feira reforçam a mudança de tom de Teerã justamente quando o acordo temporário chega a um ponto decisivo. Sem um novo entendimento entre os dois países, o impasse sobre Ormuz e a adoção de uma postura militar mais agressiva pelo Irã aumentam o risco de uma nova escalada no confronto com os Estados Unidos.