20 de agosto de 2026

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Indígenas exigem participação real nas negociações da COP17 em Mongólia

Mundo Indígenas 20/08/2026 14:54 Redação Digital, Canal Rural canalrural.com.br

Manifestantes pedem que povos tradicionais tenham voz nas decisões e reconhecimento de seus direitos e territórios.

Indígenas de várias partes do mundo protestaram nesta quinta-feira (20) em Ulaanbaatar, na Mongólia, para exigir participação nas negociações oficiais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Eles afirmam que o espaço criado para reuniões de povos indígenas e comunidades tradicionais é insuficiente e não garante voz plena nas decisões.

O grupo questiona o modelo de representação do Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais. Para os participantes, a presença desses povos não pode ser apenas simbólica. A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade, Oumarou Ibrahim Hindou, disse que os povos tradicionais querem reconhecimento de seus conhecimentos, direitos e territórios.

  • O protesto ocorre em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, durante a COP17 sobre desertificação.
  • Indígenas de diversos países pedem mais espaço nas decisões oficiais.
  • Eles querem reconhecimento de seus conhecimentos e territórios.
  • Também pedem a volta de temas como gênero e participação social na agenda, que foram excluídos a pedido dos EUA.
  • Uma declaração final pede apoio a pastores e indígenas para adaptação às mudanças climáticas.

Contexto e reivindicações

Os manifestantes também pediram a volta de temas ligados a gênero e participação social à agenda oficial. Segundo eles, esses pontos foram excluídos a pedido dos Estados Unidos. O documento em discussão depende de consenso entre as 197 partes da convenção e define os temas que serão negociados pelos governos.

Declaração de Ulaanbaatar

Durante um evento paralelo, foi publicada a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas. O texto afirma que essas comunidades têm papel central na conservação da biodiversidade, na segurança alimentar e na gestão sustentável de áreas de pastagem. A declaração também rejeita a ideia de que o pastoreio seja uma atividade atrasada ou responsável pela desertificação.

Entre as reivindicações estão o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade, apontada como estratégia de adaptação às mudanças climáticas, além do acesso direto a recursos para adaptação, preparação para secas e fortalecimento da resiliência. O documento também pede proteção a corredores de circulação de pessoas e animais, acesso sazonal a pastagens, água e mercados e mecanismos específicos de financiamento para iniciativas lideradas por povos pastoris.

Próximos passos

Ao final, os participantes defenderam a incorporação da Declaração de Ulaanbaatar aos resultados oficiais da COP17 e anunciaram a realização de um novo encontro global de povos pastoris e indígenas em 2030.