O lançamento antecipado de trechos do livro do irmão da princesa Diana, acusando o rei Charles III de ter afirmado que a irmã seria esquecida rapidamente após sua morte, gerou uma crise na monarquia britânica. A Controvérsia ocorreu momentos antes de uma importante reunião sobre inteligência artificial sediada por Charles, forçando o Palácio de Buckingham a emitir uma rara nota oficial que questiona o julgamento do irmão de Diana, comparando a reação da família real à postura de Elizabeth II diante do escândalo envolvendo príncipe Harry e Meghan. Enquanto o escândalo domina as manchetes, há atualizações sobre a prisão do irmão do rei, as primeiras aparições públicas do príncipe Harry após retornar ao Reino Unido e as tensões envolvendo a segurança e a escola dos filhos de Harry e Meghan.
O rei Charles III esperava que a atenção do mundo estivesse voltada para a inteligência artificial, já que se preparava para liderar uma cúpula importante sobre o tema. No entanto, seus planos foram interrompidos por um novo escândalo envolvendo a própria família real, que dominou as capas dos jornais horas antes do início da reunião.
Além de ofuscar o evento de tecnologia, a crise mergulhou a monarquia britânica em uma situação delicada na véspera de uma data simbólica. A repercussão foi imediata e impactou a imagem pública da instituição.
Os principais pontos da nova crise real:
- A manchete do jornal Daily Mail questiona um suposto surto emocional de Charles dias após a morte de Diana.
- Charles Spencer, irmão de Diana, alega que o futuro rei disse que sua irmã seria esquecida em breve.
- O Palácio de Buckingham emitiu uma resposta incomum, questionando a clareza mental de Spencer naquela época.
- A crise ocorre no mesmo período em que o príncipe Harry realiza sua primeira aparição pública após retornar ao Reino Unido.
- As memórias de Spencer são vistas como mais uma dor de cabeça para a família real em um ano turbulento.
Os jornais britânicos publicaram títulos agressivos, como o do Daily Mail, que dizia: Surto surpreendente de Charles dias após a morte de Diana. Já o Daily Telegraph estampava: Palácio reage ao irmão de Diana. A pressão mediática forçou o Palácio de Buckingham a agir rapidamente.
Na quarta-feira, o Palácio divulgou uma resposta pública, o que é raro. A reação veio após a publicação de um trecho do próximo livro de Charles Spencer, Swan Song: Diana, My Sister. O irmão de Diana afirma que, após a morte de sua irmã, o então príncipe de Gales disse: logo vamos esquecê-la.
Segundo Spencer, ele conversava por telefone com o futuro rei argumentando que Diana não gostaria que os filhos William e Harry participassem do cortejo fúnebre. Charles teria iniciado uma onda de raiva. Outro trecho publicado nesta quinta-feira afirma que Charles parecia eufórico como um ganhador de loteria ao falar com o irmão na noite da morte de Diana. A CNN não teve acesso ao livro antes do lançamento na próxima semana.
Diana morreu em agosto de 1997, vítima de um acidente de carro em alta velocidade em Paris. Na época, seus filhos tinham 12 e 15 anos e participaram do funeral ao lado de Charles, com quem ela já era divorciada. As memórias de Spencer reabrem feridas de um período sensível para a monarquia.
p>Conhecida como a Princesa do Povo, Diana era extremamente popular. Sua morte prematura, aos 36 anos, causou choque no Reino Unido. A resposta inicial da família real, considerada fria e fechada, gerou uma crise constitucional e revoltou a opinião pública.Em resposta às queixas de Spencer, o Palácio de Buckingham questionou o julgamento pessoal do irmão da princesa. A fala do palácio indicou que a dor do luto entre irmãos pode obscurcer a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outras pessoas não reconhecem. Para analistas, essa postura relembra a reação da falecida rainha Elizabeth II em 2021, quando ela respondeu às alegações do príncipe Harry e Meghan com a frase As lembranças podem variar.
O livro de Spencer também detalha a percepção de que o relacionamento de Diana com Charles era infeliz. Há a alegação de que a princesa encontrou uma pulseira comprada por Charles para Camilla e, por isso, tentou romper o noivado. Além disso, o texto alega que Charles a chamou de gordinha logo após o engajamento, o que teria devastado Diana, que sofria de transtornos alimentares. Embora algumas dessas histórias já fossem conhecidas, o palácio declarou à CNN que não tinha mais nada a acrescentar à nota anterior.
Turbulências recentes no ano da monarquia
O ano começou com grandes desafios para a realeza. O principal deles foi a prisão de Andrew Mountbatten-Windsor, irmão de Charles III, no seu aniversário de 66 anos. Ele foi detido sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público, referente a sua atuação como enviado comercial do Reino Unido.
Andrew deixou esse cargo em 2011 após ser pressionado pelas conexões com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. O príncipe nega qualquer irregularidade e diz que não teve ganhos pessoais com a função. A prisão marcou um momento de tensão extrema para a família.
Após um verão mais calmo, a família esperava um fim de ano tranquilo. Porém, o lançamento do livro de Spencer, somado ao retorno surpresa do príncipe Harry e Meghan ao Reino Unido, trouxe novos problemas. A gestão da imagem da realeza tornou-se complexa diante da atenção da imprensa global.
Retorno de Harry e novas tensões
Enquanto a crise mediática aumentava, os membros da família reais estavam em agenda cheia. Na quinta-feira, o príncipe Harry fez sua primeira aparição pública desde que voltou ao Reino Unido no mês anterior. Ele participou da primeira edição do Invictus Spirit Awards, uma cerimônia que homenageia militares e veteranos feridos ou doentes em Londres.
Na ocasião, estiveram presentes celebridades como o comediante James Corden e a cantora Jess Glynne. Essa presença indica que Harry não pretende se afastar totalmente da vida pública, mesmo sem mais funções oficiais na monarquia. O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter sua relevância nos holofotes.
No início do mês, Charles enviou uma carta esclarecendo que Harry e Meghan deveriam ser tratados como cidadãos particulares. Segundo um porta-voz do casal, esta decisão os surpreendeu. O casal e seus filhos, o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5, tentaram manter-se longe das câmeras desde o retorno, mas não escaparam de problemas logísticos.
Uma das controvérsias recentes envolveu a mudança de escola dos filhos de Harry e Meghan apenas alguns dias após o início do ano letivo. A justificativa foram questões de segurança. A mudança ocorreu após noticiários britânicos revelarem que Meghan havia recebido uma nova avaliação de seguranca, o que gerou atrito com outros membros da família real.
Enquanto o escândalo de Diana dominava o noticiário, o príncipe William e sua esposa Kate, atuais príncipe e princesa de Gales, cumpriam compromissos oficiais. Eles realizaram nesta quinta-feira sua primeira visita à Ilha de Bute, na Escócia, demonstrando a continuidade dos deveres protocolares apesar das conturbadas notícias envolvendo o núcleo familiar.


Princesa Diana no baile do Met Gala em 1996. Foto: Richard Corkery/NY Daily News Archive via Getty Images





