20 de setembro de 2026

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Latino-americanos copiam Trump e endurecem rigorosa política de imigração

Mundo Imigração 20/09/2026 08:23 CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Argentina, Chile e Colômbia adotaram novas medidas restritivas para imigrantes em menos de três meses. Analistas apontam que os países podem estar buscando aprovação de Donald Trump ou apenas tentando lidar com o aumento do número de estrangeiros em seus territórios.

Em um período de menos de três meses, tres presidentes da América Latina decidiram tornar as regras de entrada e permanência de estrangeiros muito mais rígidas. Essas ações seguem o mesmo caminho adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que começou seu segundo mandato em janeiro de 2025 com uma postura dura contra a imigração.

As medidas anunciadas pelos governos variam bastante. Algumas proíbem a entrada de estrangeiros que supostamente incitam mensagens de ódio ou hostilidade. Outras envolvem operações policiais para prender e expulsar pessoas que não têm documentos em ordem ou que cometeram crimes. Tudo isso ocorre enquanto o poder da direita cresce na região, com líderes que são abertamente apoiados por Trump, que busca influenciar a segurança, o combate ao crime e o controle da fronteira nos países vizinhos.

  • A Argentina, o Chile e a Colômbia são os três países que mudaram suas leis de imigração recentemente.
  • O Chile começou incentivando o retorno voluntário de imigrantes irregulares e depois estendeu o tempo de detenção antes da expulsão.
  • A Argentina proibiu a entrada ou expulsou quem incita ódio contra o país ou profana símbolos nacionais.
  • A Colômbia iniciou operações policiais imediatas para expulsar indocumentados e criminosos, priorizando a segurança nacional.
  • Especialistas debatem se essas ações são apenas reações a problemas locais ou uma tentativa de agradar aos EUA para obter apoio político e econômico.

Mudanças radicais no Chile

O Chile foi o primeiro a movimentar-se. No dia 1º de junho, o presidente José Antonio Kast anunciou um plano que incentiva imigrantes sem documentos a voltarem para seus países de origem. A ideia é que eles possam voltar legalmente no futuro, mas pela porta da frente, não pelos fundos. Kast, que chegou ao poder em março de 2023 e tem ascendência alemã, defende a ordem e a legalidade.

Além do incentivo ao retorno, o governo chileno anunciou duas outras medidas importantes. A primeira prolonga o período que um imigrante pode ser preso antes de ser deportado de cinco para 60 dias, com possibilidade de renovarm essa detenção. A segunda medida amplía o conceito de tráfico de pessoas, punindo agora não só quem ajuda na entrada, mas também quem facilita a saída do país ou o transporte interno de quem não está regularizado.

Postura dura na Argentina

Já no dia 29 de julho, a Argentina adotou seus próprios mecanismos de controle. O presidente Javier Milei assinou um decreto que barra ou expulsa qualquer estrangeiro que dirija mensagens de ódio, discriminação ou violência contra o povo argentino ou seus símbolos nacionais. A medida é uma resposta direta a discursos hostis percebidos pelo governo.

Diante das recentes demonstrações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos, o Governo Nacional reafirma que a defesa da Nação, de seus cidadãos e de seus símbolos é inegociável. Quem ataca a República Argentina não é bem-vindo em nosso país, declarou a Presidência. Isso aconteceu pouco depois que Milei afirmou, sem apresentar provas concretas, que o México e o Brasil estariam por trás de uma campanha contra a Argentina, algo que ambos os governos negaram veementemente.

Operação na Colômbia

Quase um mês depois, em 24 de agosto, a Colômbia seguiu a mesma linha. O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em 7 de agosto, ordenou o início imediato de operações para expulsar imigrantes sem documentos ou envolvidos em crimes. Não aceitarei imigração ilegal aqui. Colombianos em primeiro lugar, colombianos em segundo e colombianos em terceiro, para que todos entendam, disse ele durante uma reunião com autoridades.

A ordem foi clara: a polícia deve iniciar as ações coordenadas agora mesmo. Essa postura reflete a promessa de campanha de Espriella, que foca no combate firme à criminalidade e na prioridade absoluta aos cidadãos colombianos em todas as esferas da política pública, incluindo a migração.

Os EUA como modelo e a opinião dos especialistas

Para entender por que esses três países tomaram medidas tão semelhantes, a CNN consultou analistas. O professor chileno Patricio Navia, da Universidade de Nova York, e o colombiano Lucas Martínez-Villalba, do Tecnológico de Monterrey, concordam que a migração é um problema real e preocupante para alguns setores da população. No entanto, eles discordam sobre o motivo principal dessas ações.

Navia acredita que não se trata de copiar Trump, mas de resolver problemas que antes eram mais comuns nos Estados Unidos. No Chile, por exemplo, o número de imigrantes disparou. Em 2023, houve 1,9 milhão de imigrantes no país, um aumento de 46,8% em relação aos 1,3 milhão de 2018. Os venezuelanos são o maior grupo, com 728 mil pessoas, seguidos por 260 mil peruanos e 209 mil colombianos. Essa pressão aumenta a demanda por casas, saúde e escolas.

Impacto na Colômbia e na relação com os EUA

A situação é parecida na Colômbia, que recebeu cerca de 2,8 milhões de venezuelanos nos últimos anos, segundo a Organização Internacional para as Migrações. Essa massa de pessoas que fugiu da crise no Venezuela gera desafios enormes para a infraestrutura local. Embora Navia veja a medida como uma reação técnica a esse crescimento, Martínez-Villalba acredita que há um outro fator forte: a vontade de agradar Donald Trump.

Todos esses países parecem estar se alinhando a uma única ideia, seguindo o modelo da política de imigração dos EUA, que é encarar a migração como um problema, uma ameaça aos valores do país, disse Martínez-Villalba. Para ele, o objetivo é obter aprovação política e comercial dos Estados Unidos, tratando a migração como um custo das políticas anteriores.

Resultados incertos e desafios práticos

Até o momento, não está claro se essas novas regras estão funcionando. A CNN tentou contato com os três governos. A Argentina e o Chile não responderam às perguntas. A Colômbia disse que ainda não tem um relatório final porque as operações começaram há poucos dias. Até agora, cinco estrangeiros foram expulsos em Bucaramanga por riscos à segurança nacional, como porte de armas e uso de drogas.

Navia aponta que expulsar alguém é muito mais difícil no dia a dia do que prometer em discursos. Os migrantes chegam a esses países, casam-se com os locais, falam a mesma língua, integram-se às comunidades e, em muitos casos, contribuem significativamente para a economia. Não é tão simples quanto aparecer e expulsar as pessoas, explicou o professor.

Percepção política versus realidade estatística

Para Martínez-Villalba, se o objetivo for apenas cortar gastos ou reduzir a criminalidade tese de Trump que não tem comprovação estatística nesses países , o resultado pode ser incerto. Mas, se o objetivo for uma mensagem política para Washington, o sucesso é mais provável, pois alimenta a imagem de homem forte que Trump valoriza. Ele retribuirá com os países, com os governos, que demonstrarem isso a ele, concluiu o especialista, indicando que a dinâmica geopolítica pode estar acima da realidade humana da migração.