O governo do Paquistão declarou que atacou dez locais no Afeganistão com aviões de guerra, alegando que essas áreas foram usadas para lançar drones contra o território paquistanês. A ação intensifica a tensão na fronteira e pode atrapalhar negociações de paz lideradas por países como China e Turquia.
O Paquistão informou na madrugada desta quinta-feira (24) que executou ataques aéreos contra dez locais no Afeganistão. Segundo Islamabad, esses locais teriam sido utilizados para lançar ataques com drones contra o território paquistanês na véspera. A escalada de violência aumenta a tensão entre os dois países e ameaça desestabilizar os esforços de mediação internacional em andamento.
O anúncio oficial foi feito pelo ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, em uma publicação na rede social X. Autoridades paquistanesas relataram que forças do Talibã teriam disparado oito drones e bombardeado postos fronteiriços. Essa ação teria ocorrido após tropas paquistanesas impedirem o que descreveram como uma tentativa de infiltração de militantes pela fronteira.
- Resumo rápido da situação:
- O Paquistão afirma ter bombardeado 10 esconderijos no Afeganistão.
- Isso ocorreu após acusações de que o Talibã disparou 8 drones contra a fronteira.
- Cabul nega ter realizado qualquer ataque ou ter conhecimento dos militantes.
- Mediadores internacionais, como China e Turquia, tentam evitar uma guerra total.
- A fronteira entre os dois países é considerada uma das zonas mais tensas do mundo.
Posição contrária do governo afegão
Não houve resposta imediata de Cabul aos novos ataques paquistaneses. No entanto, na quarta-feira (23), o porta-voz do governo Talibã, Zabihullah Mujahid, negou oficialmente que forças afegãs tenham realizado ataques contra o Paquistão. As versões conflitantes surgem apenas dois dias depois de caças paquistaneses atingirem alvos no leste do Afeganistão, que Islamabad classificou como esconderijos de militantes.
Dificuldade em verificar fatos independentes
Os relatos de ambos os lados não puderam ser verificados de forma independente devido à falta de acesso à região. O aumento da violência representa um risco significativo para as iniciativas diplomáticas lideradas pela China, Turquia, Catar e Arábia Saudita, que buscam costurar um entendimento duradouro entre Cabul e Islamabad.
Acusações sobre uso de território afegão
O Paquistão acusa repetidamente o governo Talibã de permitir que grupos armados operem a partir do Afeganistão e realizem ataques transfronteiriços. Essa acusação é negada por Cabul. Tarar declarou que, em vez de desmantelar essas redes de militantes, o Talibã teria optado por escalar o conflito com operações hostis de drones.
Segundo o ministro, os bombardeios paquistaneses foram deliberados, precisos, calibrados e proporcionais. Ele garantiu que as ações foram limitadas exclusivamente a objetivos militares ligados às tentativas de ataque contra o Paquistão.
Ainda de acordo com autoridades paquistanesas, forças de segurança neutralizaram oito drones descritos como rudimentares antes de eles entrarem em Kohat, no noroeste, e na cidade fronteiriça de Torkham. As mesmas fontes afirmam que houve disparos de morteiros e armas pesadas contra postos paquistaneses. Como resposta, a artilharia paquistanesa atacou posições do Talibã. Quatro autoridades participaram das declarações sob anonimato, pois não estavam autorizadas a comentar o caso publicamente.


O Paquistão acusa repetidamente o governo Talibã de permitir que grupos armados operem a partir do Afeganistão e realizem ataques transfronteiriços


