05 de outubro de 2026

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Filho de Trump culpa ONGs pela derrota da esquerda na América Latina

Mundo Eleições 05/10/2026 15:40 Folhapress | Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br Washington

Donald Trump Jr. afirma que o fim da ajuda americana (Usaid) fez o bloco de esquerda perder eleições presidenciais na região, incluindo o Brasil, onde o governo local desmontou a agência. Ele acusa as organizações de interferirem nas votações, alegação que é refutada por especialistas e ex-integrantes do governo.

WASHINGTON, EUA - Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu nesta segunda-feira (5) o bom desempenho da direita na América Latina ao desmonte da Usaid, a principal agência americana de ajuda internacional, que foi praticamente extinta pelo governo republicano.

Desde que desmantelamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina, escreveu Trump Jr. nas redes sociais, horas após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras. No Brasil, a disputa presidencial em 25 de outubro será entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).

  • Trump Jr. afirma que a extinção da Usaid impediu a esquerda de vencer eleições na região
  • Ele agradece a Elon Musk por expor suposta interferência eleitoral de ONGs
  • Marcos Rubio diz que o segundo turno brasileiro ocorreu como esperado
  • Trump elogiou a rapidez da contagem no Brasil, mas confundiu o país com a Índia
  • Alegações de golpe são contestadas por ex-integrantes do governo americano

O filho do presidente alegou, sem apresentar provas, que bilhões de dólares dos contribuintes americanos eram destinados a ONGs, programas de promoção da democracia e redes de ativistas que convenientemente sempre apoiavam o mesmo lado, ou seja, a esquerda.

Acusação de interferência eleitoral

Trump Jr. classificou a atuação da Usaid como interferência eleitoral e agradeceu publicamente a Elon Musk, bilionário aliado de seu pai. Segundo ele, Musk teve papel central nos primeiros esforços do governo Trump para desmontar a estrutura da agência de ajuda externa.

Eles chamavam isso de ajuda, mas era interferência eleitoral. Obrigado, Elon Musk, por trazer isso à luz. O golpe acabou, publicou.

Reação de Elon Musk

Musk também comentou as eleições brasileiras sob a mesma ótica. Nas redes sociais, ele compartilhou uma reportagem sobre o cenário no Brasil e disse que a Usaid se envolveu em interferência eleitoral e mudança de regime em todo o mundo, causando imensos conflitos.

A declaração reforça uma tese recorrente entre aliados de Trump: a de que programas americanos de financiamento a organizações da sociedade civil e iniciativas de promoção da democracia favoreceriam grupos de esquerda no exterior. No entanto, essa alegação é contestada por organizações beneficiárias e por ex-integrantes do governo americano.

Histórico da Usaid

A Usaid foi fundada pelo presidente John F. Kennedy em 1961, com o intuito principal de centralizar e promover a ajuda externa dos Estados Unidos. À época, a agência reuniu um conjunto de programas de assistência estrangeira que já estavam em vigor.

Trump Jr. mantém há anos uma relação próxima com a família Bolsonaro, em especial com Eduardo Bolsonaro, a quem já chamou de amigo. Os dois se conheceram em 2018 e passaram a frequentar a mesma rede internacional de movimentos conservadores.

Laços com a família Bolsonaro

Em 2021, o filho de Trump participou por vídeo da CPAC Brasil, evento organizado por Eduardo Bolsonaro. Na véspera da eleição de 2022, ele declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL), afirmando que o então presidente era a única pessoa capaz de impedir o avanço do socialismo e comunismo na América do Sul.

Em janeiro de 2025, durante as celebrações que antecederam a posse de Donald Trump, Trump Jr. encontrou Eduardo Bolsonaro em um baile hispânico em Washington. Ao descer do palco, o filho do presidente americano trocou apertos de mão e abraçou o deputado brasileiro.

Reações do governo americano

A declaração desta segunda-feira ocorre no momento em que integrantes do governo e aliados de Trump acompanham de perto o segundo turno das eleições brasileiras.

Questionado sobre o resultado, o secretário de Estado, Marco Rubio, limitou-se a dizer que a disputa havia ido para o segundo turno como todos esperavam, sem declarar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro.

O próprio Trump também não citou os candidatos ao comentar a votação. Em uma publicação feita após a apuração, ele elogiou a rapidez da contagem, mas inicialmente confundiu o Brasil com a Índia ao afirmar que 125 milhões de pessoas haviam participado de uma eleição presidencial no país asiático. Ele depois corrigiu a postagem para dizer que se referia ao Brasil.