Analistas apontam que a falta de apoio americano e os ataques russos criaram uma janela de oportunidade para Zelensky pressionar o governo dos Estados Unidos no meio da eleição.
A situação da Ucrânia no conflito com a Rússia foi descrita pelo CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, como extremamente difícil. O cenário é marcado pela escassez de mísseis Patriot, falhas no acesso ao serviço de internet satelital Starlink e uma grave falta de informação para o comando militar.
Diante desse cenário, o especialista avalia que este é o momento mais propício para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pressionar o presidente americano, Donald Trump. Aragão explicou que a conjuntura política nos Estados Unidos cria uma janela de oportunidade para a Ucrânia, já que Trump enfrenta dificuldades internas.
- Falta de Mísseis: A defesa antiaérea ucraniana está enfraquecida pela escassez de interceptores Patriot.
- Problemas de Conexão: Houve falhas no acesso ao Starlink, sistema crucial para comunicações táticas.
- Crise de Inteligência: O comando ucraniano enfrenta um "apagão" de dados sobre os movimentos russos.
- Pressão Política: Trump pode perder o controle do Congresso, o que enfraquece sua posição externa.
- Ressentimento: A venda de combustível russo aos EUA agrava a crise diplomática entre os líderes.
O confronto direto entre líderes
"Se tem um momento de desafiar o Trump é esse, justamente pela situação também complicada do presidente americano por conta das eleições, onde ele deve perder a Câmara dos Deputados e corre o risco de perder também o Senado", afirmou o analista. Essa instabilidade política interna nos EUA daria a Zelensky a margem necessária para exigir mais apoio sem temer represálias imediatas.
Aragão destacou ainda que Zelensky enfrenta uma contradição: ao mesmo tempo em que depende vitalmente do apoio americano, vê os Estados Unidos comprando combustível da Rússia, o que vai na direção oposta do que havia sido acordado. Para o especialista, essa incoerência explica o tom mais agressivo adotado pelo líder ucraniano nas últimas declarações públicas.
A relação pessoal e o passado
Em entrevista ao jornal Financial Times, Zelensky teria afirmado que Trump gosta do presidente russo, Vladimir Putin, porque ele aprecia líderes que permanecem no poder por longos períodos, como 20, 30 ou 40 anos. O presidente ucraniano justificou que Trump os considera "homens fortes", além de acrescentar que o americano "gosta dos autoritários e dos ricos".
Durante o primeiro mandato de Trump, uma conversa gravada entre ele e Zelensky revelou que Trump teria pressionado o ucraniano a buscar informações comprometedoras sobre o filho de Joe Biden. O filho de Biden integrava o conselho da Burisma, a maior empresa de energia da Ucrânia. Essa pressão foi feita em troca da liberação de US$ 600 milhões para a compra de armas americanas.
O episódio resultou na abertura de um processo de impeachment pela Câmara, que não foi aprovado pelo Senado. "E desde então ele odeia o Zelensky", disse o analista de Internacional da CNN, Lourival Sant'Anna, apontando um histórico de tensões pessoais entre os dois mandatários.
A Europa entra em cena
O endurecimento do tom não veio apenas de Zelensky. Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, utilizou uma expressão de forte carga simbólica em alemão para declarar que seu país não está apenas defendendo a Ucrânia, mas a própria ordem política da Europa, que está sendo atacada pela Rússia. Essa declaração sinaliza uma mudança na postura europeia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também tem sustentado que a Europa não pode permitir que a Rússia vença o conflito. O Reino Unido, por sua vez, mantém de forma consistente seu apoio à Ucrânia, reforçando a linha de frente diplomática e militar europeia.
Contudo, Lourival Sant'Anna ponderou que os recursos europeus não têm a mesma magnitude nem a mesma qualidade dos americanos para enfrentar a Rússia. Essa diferença ocorre em razão de uma divisão de tarefas estabelecida no âmbito da OTAN ao longo da Guerra Fria e no período posterior a ela, onde os EUA atuavam como principal fornecedor de defesa pesada.


Bombeiros atuam em prédio de apartamentos danificado durante ataque com drones russos em Kharkiv, na Ucrânia. (Ajustada por IA)




