17 de agosto de 2026

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Ônibus clandestino tomba na Serra de Petrópolis e mata 10 pessoas

Polícia Acidente 17/08/2026 07:11 Walter Farias, Priscilla Litwak, Vera Araújo e Henrique Barbi - Extra extra.globo.com

Acidente com ônibus de excursão na BR-040, em Petrópolis, deixou 10 mortos e 23 feridos. Entre as vítimas estão uma jovem grávida e uma criança de 7 anos. A ANTT informou que a empresa não tinha autorização para fazer o transporte interestadual. A polícia investiga as causas do acidente, e sobreviventes relatam que o veículo estava em alta velocidade.

O plano era passar o domingo em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e voltar para casa no fim da tarde, numa excursão bate-volta. Mas o passeio de um grupo que saiu de Belo Horizonte terminou em tragédia ainda no caminho. Sem autorização para fazer transporte interestadual de passageiros, o ônibus com 56 pessoas tombou por volta das 4h30 de ontem, no km 91 da BR-040, em Petrópolis, na Região Serrana. Dez pessoas morreram, nove mulheres, entre elas uma jovem grávida, e uma menina de 7 anos, e ao menos 23 feridos, incluindo o motorista, foram levados para três hospitais. Sobreviventes relatam que o veículo seguia em alta velocidade.

  • Oito vítimas já foram identificadas até a noite de ontem: Jhennifer Ferreira Carvalho (33), Lavinia Eduarda Souza Dias (7), Luciana Ferreira Carvalho (53), Ketelyn Polyane Alves de Oliveira (19), Keyla Perucci da Silva (35), Priscilla de Souza Braz (33), Natália Fimiano de Barros (34) e Dayanna de Lima Viana (36).
  • Uma das vítimas estava grávida de 4 meses; o companheiro dela, que é o pai do bebê, sobreviveu.
  • A viagem era clandestina; a ANTT informou que a empresa não tinha autorização para fazer o trajeto entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
  • Passageiros reclamaram que muitos cintos de segurança não funcionavam e que o motorista dirigia em alta velocidade.
  • O acidente aconteceu em um trecho da rodovia que passava por obras, com interdição no lado direito da pista.

Até a noite de ontem, oito vítimas haviam sido identificadas: Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos; Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7; Luciana Ferreira Carvalho, de 53; Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19; Keyla Perucci da Silva, de 35; Priscilla de Souza Braz, de 33; Natália Fimiano de Barros, de 34; e Dayanna de Lima Viana, de 36.

Ketelyn estava grávida de quatro meses. Seu companheiro, Gabriel Bernardes, pai do bebê, sobreviveu. Em desespero pela morte da mulher, ele contou, na porta do IML de Petrópolis, os momentos que antecederam o tombamento:

Eu estava no segundo andar e ele estava em alta velocidade, passando pelas curvas. Fiquei com medo e algumas passageiras pediram para parar o ônibus, mas aí ele perdeu o controle do veículo.

Investigação

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) classificou a viagem como clandestina: o ônibus de placa AKY-3454 não estava habilitado para viagens interestaduais. A 105ª DP (Petrópolis) investiga o caso. Nove corpos foram encaminhados ao IML da cidade para exames periciais. A décima vítima, ainda sem identificação, está no IML de Nova Iguaçu.

Segundo a ANTT, o ônibus está registrado em nome da Dinna Elles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas, porém, é habilitada pela agência. O coletivo tinha ainda um adesivo da ANTT em nome da Samara, que também estaria inapta. O órgão informou que não encontrou empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem e pela comercialização dos pacotes.

Só na segunda quinzena de maio a Estrela Guia ofereceu três passeios semelhantes a Copacabana, cobrando R$ 140 por pessoa, sempre com viagens de ida e volta no mesmo dia entre as duas cidades, que ficam a uma distância de cerca de 440 km.

Para o passeio deste fim de semana, o ônibus partiu da Praça da Cemig, em Contagem, pegou passageiros na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, e, por fim, no Shopping Estação, em Venda Nova, na Zona Norte da cidade mineira. Passageiros relataram que observaram problemas desde o início da viagem, a começar por muitos cintos de segurança que não funcionavam. Há relatos também de que o motorista continuou em alta velocidade quando pegou a estrada.

Quando chegamos em Petrópolis, as pessoas começaram a gritar. Estava dormindo, abracei meu noivo e disse que iríamos morrer. O ônibus começou a balançar muito. Na descida, capotou, bateu em uma árvore e ela entrou dentro do ônibus, contou ao g1 uma passageira.

O tombamento ocorreu num trecho da rodovia em obras, com interdição no lado direito da pista. Após o acidente, foi montada uma grande operação de socorro e resgate, com equipes do Samu de Petrópolis e da Baixada Fluminense, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da concessionária Elovias, que administra a rodovia.

Em nota, a Estrela Guia Turismo lamentou o acidente, prestou solidariedade às vítimas e afirmou dar suporte e colaborar com as investigações. Sobre a informação da ANTT de que não tinha autorização para a viagem, o advogado Aroldo Leão Braz disse que as manifestações serão feitas apenas pelas vias administrativa ou judicial.

É como se o filme da minha vida tivesse passado na minha cabeça

Entre os passageiros estavam grupos que haviam embarcado de Belo Horizonte com diferentes planos para o domingo no Rio. Leticia Santos, de 25 anos, viajava com sete amigas para comemorar um aniversário em Copacabana.

Eu estava dormindo e acordei com o ônibus balançando muito. Não demorou para ver ele batendo em uma mureta e saindo da pista, relatou.

Leticia foi levada para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, e recebeu alta, com escoriações no rosto. Na saída, foi recebida pela mãe, Lení, que havia sido acordada por volta das 5h pelo marido de uma das passageiras e seguiu de carro para o hospital.

Não consigo descrever o aperto no peito. Minha filha nasceu outra vez.

Depois do que viveu, Leticia disse que voltava para Belo Horizonte transformada:

Volto para casa diferente. É como se o filme da minha vida tivesse passado na minha cabeça, não sei. Estou me sentindo outra.

Outro grupo numeroso da excursão vinha da Vila Acaba Mundo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Mais de dez passageiros eram moradores da comunidade, que tem cerca de 4 mil habitantes. Com a notícia do tombamento, parentes, amigos e vizinhos passaram a buscar informações, e dois moradores viajaram para o Rio, segundo Paola Tassini, vice-presidente da associação de moradores.

Todo mundo é primo de alguém, filho, primo, prima, disse Paola.

A comunidade realizaria ontem uma festa para arrecadar alimentos para doação, mas a programação deu lugar à mobilização em torno dos moradores que estavam na excursão.

Na comunidade, todo mundo se conhece, todo mundo está atordoado, lamentou.