Um homem foi detido no Rio de Janeiro após confessar que operava um drone para espionar viaturas da PM e facções rivais, recebendo R$ 1,2 mil mensais de um chefe do tráfico.
Um homem foi preso na segunda-feira (31) em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro, após admitir que pilotava um drone para vigiar a polícia e criminosos de outras facções. Conforme confessou aos agentes, ele cobrava o serviço e recebia R$ 1.200 por mês de um traficante conhecido como Flamengo, identificado como uma das lideranças do TCP (Terceiro Comando Puro) na área.
A captura ocorreu depois de investigações do Serviço Reservado do 15º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que monitorava a região onde há constantes disputas por território. O suspeito foi flagrado por perto da rua Maria Fernandes enquanto operava o equipamento remotamente, que continha vários registros de viaturas em movimento.
Resumo da notícia
- Homem foi preso por espionar viaturas e rivais usando um drone em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
- Ele confessou receber R$ 1.200 mensais de um líder do tráfico na região pela prestação do serviço.
- O aparelho foi apreendido e encaminhado para a 60ª Delegacia de Polícia, onde o caso foi registrado.
- Grupos criminosos têm coberto ruas no Complexo do Alemão para dificultar a espionagem aérea.
- A Polícia Civil criou uma força-tarefa específica para monitorar o uso de drones por quadrilhas desde 2017.
Após a detenção, o suspeito e o dispositivo foram levados à 60ª Delegacia de Polícia de Campos Elíseos. A Polícia Civil segue investigando a extensão da atuação do homem e como o grupo criminoso utilizava os dados obtidos. Ele será representado pela Defensoria Pública na audiência de custódia, ainda a ser realizada.
Em comunicado, a Polícia Militar destacou que a apreensão mostra como quadrilhas estão usando tecnologia moderna para se esconder e obter informações de inteligência. Segundo a corporação, esses aparelhos permitem acompanhar a movimentação de forças de segurança e de grupos rivais em áreas de disputa.
Crimes cobrem ruas para escapar de drones
Uma análise da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) revelou que, para se proteger, facções têm tapado vias no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. A comparação entre fotos de satélite de novembro de 2025 e registros de fevereiro de 2026 mostra que muitas ruas e estacionamentos foram cobertos por telhados em apenas três meses.
Os investigadores explicam que essas estruturas servem como escudo contra explosivos arremessados por rivais, mas também atrapalham a polícia, que usa drones para observar o que acontece abaixo. O monitoramento dessas tecnologias é feito desde 2017, após a descoberta de sua aquisição por traficantes para espiar autoridades.
Para lidar com essa crescente ameaça, a Polícia Civil lançou em julho uma nova unidade especializada na captura e análise de dados de drones. Inaugurada em março com a compra de seis equipamentos chineses, a iniciativa faz parte de um pacote de cerca de R$ 2,1 milhões investidos em tecnologia policial nos últimos dois anos.


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