Ex-banqueiro do Banco Master teria encomendado documentos de vacinação contra a febre amarela para uma atriz, segundo investigações da PF.
Mensagens envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sugerem que ele teria solicitado a produção de certificados internacionais de vacinação contra a febre amarela com datas falsas de administração das doses. Os documentos teriam sido encomendados a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como 'Sicário', apontado pela Polícia Federal como o líder de uma milícia particular ligada ao banqueiro.
As conversas, obtidas pela reportagem, datam de dezembro de 2024, período anterior à primeira prisão de Vorcaro, que ocorreu em novembro de 2025 no âmbito do escândalo do Master. Sicário, por sua vez, foi detido em março deste ano e morreu por suicídio na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.
- Os diálogos ocorreram entre os dias 8h57 e 13h30 de 12 de dezembro de 2024.
- Vorcaro enviou os dados pessoais de uma atriz para a criação dos certificados.
- O Ministério da Saúde afirma que não há registros de falhas em seus sistemas de segurança.
- Sicário era responsável por obter informações sigilosas para Vorcaro.
- Esta é a segunda vez que o nome da atriz é associado ao ex-banqueiro em investigações.
Detalhes da troca de mensagens e dados da artista
De acordo com as conversas, Vorcaro pediu dois certificados a Sicário e forneceu os dados de Monique Alfradique. A assessoria da atriz esclareceu que as duas doses de vacina contra a febre amarela recebidas por Monique foram aplicadas de forma regular, em postos credenciados, seguindo os protocolos oficiais. A última aplicação teria ocorrido em 22 de abril de 2024, na Fiocruz.
Profissionais de saúde que trabalham nos serviços públicos registram as vacinas em fichas padronizadas, anoteando quem aplicou a dose, o lote e o fabricante. Esses dados são enviados aos sistemas do Ministério da Saúde, que geram os certificados de imunização digitalmente. Não ficou claro se Monique tinha ciência do pedido feito por Vorcaro.
O caso reacende debates sobre a segurança dos registros de saúde. O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi investigado por suposta falsificação de certificado de vacina contra a Covid-19, envolvendo a inserção de dados fraudulentos sobre aplicação em Duque de Caxias. Em 2024, a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento do caso, alegando falta de provas para culpá-lo.Posição do Ministério da Saúde e sistema digital
O Ministério da Saúde garantiu que os sistemas do Sistema Único de Saúde (SUS) possuem mecanismos de segurança, controle de acesso e rastreabilidade para proteger os dados. A pasta afirmou que não há qualquer registro de comprometimento dessas ferramentas de segurança. Além disso, destacou que, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), informações de saúde são consideradas dados pessoais sensíveis.
É importante entender que a integridade dos dados é mantida por protocolos rígidos. O uso de sistemas digitais visa evitar fraudes, mas casos como o envolvendo Monique Alfradique levantam questões sobre como acessos indevidos podem ser realizados por terceiros com intenção criminosa.Contexto da milícia particular e antecedentes
Esta não é a primeira vez em que o nome de Monique Alfradique aparece ligado a Vorcaro. Em junho, revelações de mensagens obtidas pela PF indicaram que o ex-banqueiro teria ordenado a 'Sicário' que assediasse uma empregada da atriz. Na ocasião, a assessoria da artista negou ter conhecimento de qualquer ameaça nesse contexto.
Documentos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS também mostraram que um contato da atriz estava salvo como 'Alan TI' no telefone de Vorcaro. A proximidade com a figura de Sicário, preso em 4 de março conforme ordem do ministro André Mendonça, do STF, reforça a gravidade das acusações de obtenção de dados sigilosos.Diálogos diretos e geração de PDFs
Em 12 de dezembro de 2024, às 8h57, Vorcaro enviou a Sicário um certificado de vacinação e pediu: 'Precisa do (sic) tirar dois certificados desses'. Por volta do meio-dia, Sicário informou que um interlocutor já havia preparado o material e perguntou se deveria inserir os dados no sistema.
Após receber o CPF e a data de nascimento de Monique, Vorcaro recebeu, às 13h25, a confirmação de que as informações já haviam sido processadas. Sicário explicou que a data da aplicação foi alterada para 09/04/2024 e que o processo de geração pelo RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde) estava em andamento. Caso não fosse gerado a tempo, ele próprio teria criado o PDF manualmente.
O auxiliar enviou o link do site Meu SUS Digital, indicando que a carteirinha digital já estaria disponível. Ele finalizou dizendo que estava à disposição para qualquer correção e enviou os dois certificados para Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro não se pronunciou sobre as novas informações reveladas na investigação.


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