23 de outubro de 2026

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Ex-presidido agrediu a esposa com taco de beisebol: Justiça solta empresário

Polícia Violência 23/10/2026 07:03 Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br São Paulo SP

Ivo Kos, acusado de violência doméstica contra a ex-mulher Giullia Falcão, foi solto pela Justiça após ter a prisão preventiva revogada. A dentista alega que sofreu agressões físicas, psicológicas e sexuais durante o casamento, incluindo uma fratura em um dedo causada por um taco de beisebol.

O empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, saiu da Penitenciária de Potim II, localizada no interior de São Paulo, na quarta-feira (21). A liberdade foi concedida após a Justiça revogar a prisão preventiva que o mantinha detido desde o mês de agosto. Ele é acusado de agredir e ameaçar a ex-mulher, a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos.

A liberação do réu foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) esclareceu que o processo corre em sigilo, sem revelar os detalhes técnicos da decisão que permitiu a saída do presídio.

  • Ivo Kos estava preso desde agosto após agressões contra a ex-mulher.
  • Giullia Falcão revelou ferimentos graves, incluindo um dedo quebrado.
  • A dentista acusou o ex-marido de perseguição e uso de arma de choque.
  • O empresário negou o uso de violência extrema, admitindo apenas um soco.
  • Defesa de Giullia pede que o crime seja classificado como tentativa de feminicídio.

Kos atuava no mercado financeiro na região da Faria Lima, zona sul de São Paulo. A prisão inicial ocorreu após um registro de ocorrência de violência doméstica na madrugada de 15 de agosto, na zona oeste da capital paulista. O caso ganhou grande repercussão nacional após a publicação de imagens nas redes sociais pela vítima.

Giullia mostrou fotos de seu rosto inchado, com marcas de socos e o dedo da mão direita fraturado. A exposição pública do sofrimento acionou a investigação policial e a opinião pública sobre a dinâmica de violência no relacionamento do casal.

O relato de violência contra Giullia Falcão

Conforme o depoimento prestado pela dentista à polícia, a sequência de agressões teria iniciado após um jantar com clientes do empresário. Giullia relatou que o então marido começou a agredi-la com socos enquanto dirigiam de carro para casa.

Ao chegarem ao imóvel, ela tentou pedir ajuda. Porém, foi levada para dentro da casa à força, com a suposta participação de um segurança do local. Dentro da residência, a agressão continuou. O empresário teria utilizado um taco de beisebol, atingindo diretamente a mão direita da vítima e causando a fratura.

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Giullia descreveu o momento de terror em que foi perseguida. Ela contou: "Quando a gente entra na sala, o taco de beisebol tá lá e é onde ele pega e começa a correr atrás de mim". A dentista afirmou que correu para um banheiro e se trancou, acreditando naquele instante que poderia morrer.

Ela também denunciou ter sido ameaçada com uma arma de choque e impedida de ligar para a polícia. Imagens de câmeras de segurança capturaram parte da ocorrência na área externa da residência, corroborando a tensão do momento.

Violência psicológica e sexual no passado

Após a prisão do empresário, Giullia tornou públicos outros episódios de violência que, segundo ela, ocorriam rotineiramente durante o relacionamento. A dentista revelou que a primeira agressão física aconteceu apenas uma semana antes do casamento, quando recebeu um tapa no rosto.

"Eu acreditava que era um episódio isolado e que isso nunca mais iria acontecer", contou a vítima ao Fantástico. Apesar de registrar um boletim de ocorrência na época, ela optou por continuar a união, caindo em um ciclo de violência que se intensificou com o tempo.

Giullia também relatou situações de violência sexual. Ela afirmou: "Eu acordava com ele em cima de mim e essa violência sexual acontecia sempre". Em um vídeo publicado nas redes sociais imediatamente após a agressão grave de agosto, ela exibiu os ferimentos e descreveu o estado de abandono em que foi deixada.

"Esta é a situação em que meu marido me deixou. Veja, um dedo quebrado, meu rosto todo deformado", declarou a dentista. Após receber atendimento médico, ela descobriu que as fechaduras da residência haviam sido trocadas, dificultando seu retorno ao lar. A Justiça autorizou seu retorno e determinou a restituição de seus bens pessoais.

Defesa do empresário e a decisão judicial

Em depoimento à polícia, Ivo Kos apresentou uma versão diferente dos fatos. O empresário alegou que a discussão começou após o jantar e que ele foi agredido por Giullia durante o trajeto de carro. Ele negou categoricamente ter utilizado um taco de beisebol ou uma arma de choque, além de negar ameaças de morte.

Contudo, Kos admitiu ter dado um soco no rosto da dentista enquanto os dois estavam na calçada. Para ele, o golpe foi uma reação às agressões que afirmava estar sofrendo. O empresário também confirmou que retirou o celular da então esposa para impedir que ela acionasse as autoridades.

No momento da prisão, a advogada Cinthia Lerner, defesa de Kos, informou: "Os fatos ainda estão sendo apurados e, por isso, a defesa não vai se manifestar". A revogação da prisão preventiva permite sua liberdade provisória durante o andamento do processo, mas não absolve o réu dos crimes de lesão corporal e ameaça pelos quais foi indiciado.

Caminho processual e busca por julgamento popular

Até a publicação desta matéria, os fundamentos técnicos para a soltura não haviam sido divulgados publicamente devido ao sigilo do processo. É importante destacar que a liberdade provisória não encerra o julgamento. O caso continua na esfera criminal.

A defesa de Giullia argumenta que os elementos coligados às provas indicam a intenção de matar. O advogado Fabio Fajolli afirmou: "Foi um equívoco tipificar o crime como lesão corporal porque há vários indícios de que a intenção era matar a Giullia". O representante da vítima pretende buscar a alteração da classificação penal para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri, devido à gravidade da tentativa de homicídio ou feminicídio.

Até o momento, não há manifestações atualizadas das defesas de ambas as partes sobre os impactos práticos da decisão judicial de soltura. A investigação continua para esclarecer a dinâmica dos fatos ocorridos na residência do casal.