31 de julho de 2026

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Wagner ofereceu gabinete para reunião secreta com banqueiro, diz PF

Política Investigação 31/07/2026 09:01 Redação - Bahia Notícias bahianoticias.com.br

A Polícia Federal afirma que o senador Jaques Wagner usou o gabinete dele no Senado para fazer reuniões escondidas com representantes do Banco Master. As informações foram encontradas no celular de um ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal (PF) disse que o senador Jaques Wagner (PT-BA) usou o gabinete dele no Senado para fazer reuniões com representantes do Banco Master. As informações foram divulgadas em documentos que se tornaram públicos depois que o ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da investigação que apura possíveis ligações entre o político e empresários da instituição financeira.

Segundo a PF, as descobertas foram feitas no celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a colunista Manoela Alcântara, do Metrópoles, foram encontradas mensagens trocadas entre Lima e Wagner para marcar encontros no gabinete do petista.

  • A PF encontrou no celular de um ex-sócio do banqueiro mensagens com Jaques Wagner marcando reuniões.
  • O senador sugeriu o gabinete dele como um local mais reservado e discreto para os encontros.
  • Uma das reuniões teve como objetivo discutir interesses do Banco Master, com a possível participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.
  • Outra reunião tratou de uma proposta de emenda à Constituição que interessava ao Banco Master.
  • O senador também usou aviões controlados pelos empresários sem pagar, o que é investigado como vantagem indevida.

Os investigadores também encontraram registros de pelo menos duas reuniões realizadas. Uma em 30 de abril e outra em 27 de agosto de 2024. Ainda foi localizada uma conversa sobre um encontro previsto para 19 de abril do mesmo ano, que acabou não acontecendo.

Em mensagens trocadas na noite de 29 de abril, Jaques Wagner e Augusto acertam os detalhes da reunião marcada para o dia seguinte. A PF explicou que às 22h18 o senador enviou um áudio sugerindo que o encontro ocorresse em seu gabinete, por considerá-lo um ambiente mais "reservado". Na gravação, ele afirma que a reunião contaria com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

No áudio, o ex-governador da Bahia declara que Messias precisou alterar o horário do compromisso porque havia sido chamado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e propôs que o encontro ocorresse durante o horário de almoço.

O senador também afirma que o gabinete seria o local "mais protegido e discreto" para todos os participantes e orienta Augusto sobre a entrada no Senado, sugerindo que ele poderia evitar o processo de identificação ao chegar junto com o parlamentar.

De acordo com a investigação, a reunião de 30 de abril teria como objetivo debater interesses estratégicos e regulatórios do Banco Master. Apesar de ser citado nas mensagens, não há confirmação de que Jorge Messias tenha participado do encontro. Em resposta ao portal Metrópoles, o advogado-geral da União negou ter estado na reunião e declarou: "Nunca estive em reunião com o Senhor Lima no Gabinete do Senador Jaques Wagner no Senado."

Já o encontro realizado em 27 de agosto teria tratado da PEC nº 65/2023, apelidada de "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta previa alterações no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tema de interesse do Banco Master e de Daniel Vorcaro, além de discussões relacionadas à venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).

A PF também afirma que Jaques Wagner usou aeronaves controladas por Daniel Vorcaro e por Augusto Ferreira Lima sem qualquer registro de pagamento ou contraprestação. Segundo os investigadores, os voos faziam parte de um suposto esquema de vantagens indevidas, sem relação com prestação de serviços, mas ligados ao exercício do mandato parlamentar.

Ainda de acordo com a investigação, a cessão das aeronaves integraria uma dinâmica de "contrapartidas recíprocas". A Polícia Federal sustenta que o senador teria atuado em pautas legislativas e regulatórias de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master, hipótese que faz parte das apurações em andamento.