Parlamentares defendem a criação de uma comissão para investigar o filho do presidente Lula, mas acreditam que o calendário eleitoral de 2026 dificulta o andamento dos trabalhos neste ano.
Parlamentares ouvidos pela Jovem Pan defendem a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas avaliam que o calendário eleitoral deve dificultar a instalação e o funcionamento da comissão ainda em 2026.
- A CPMI é uma comissão que investiga fatos determinados e pode convocar pessoas, quebrar sigilos e pedir indiciamentos.
- Lulinha é acusado de ter uma "comunhão de interesses econômicos" com uma lobista e um empresário em negócios com o governo federal.
- A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
- Em fevereiro, a CPMI do INSS aprovou a quebra de sigilo de Lulinha, mas o ministro Flávio Dino, do STF, anulou a medida.
- A investigação pode influenciar a disputa pela presidência do Senado em 2027.
A avaliação nos bastidores é que, com deputados e senadores mobilizados nas eleições até o fim de outubro, restaria pouco tempo para instalar uma comissão e desenvolver os trabalhos ainda nesta legislatura.
Apesar da dificuldade, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a movimentação em torno de uma CPMI pode produzir efeitos políticos mesmo sem a instalação neste ano. Uma das avaliações é que a defesa da investigação pode chegar às negociações para a composição das próximas Mesas Diretoras do Congresso.
O movimento ocorre em meio a novas informações sobre investigações envolvendo Lulinha. A Polícia Federal apontou em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal que o filho do presidente teria mantido uma "comunhão de interesses econômicos" com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar em tratativas relacionadas a negócios com o governo federal. A defesa de Lulinha nega irregularidades.
O nome do filho do presidente já havia chegado ao Congresso durante os trabalhos da CPMI do INSS. Em fevereiro, a comissão aprovou a quebra de sigilo de Lulinha, medida posteriormente anulada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em razão do procedimento adotado na votação dos requerimentos.
Sucessão no Senado
A possibilidade de novas investigações parlamentares também começa a aparecer nas articulações para a sucessão no comando do Senado.
No campo da direita, pelo menos três nomes estão no radar da disputa: Carlos Viana (Podemos-MG), Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN).
Viana, que presidiu a CPMI do INSS, já declarou publicamente que pretende disputar a Presidência do Senado caso seja reeleito.
"Se reeleito senador, eu vou me colocar como presidente do Senado", afirmou.
Na mesma declaração, Viana vinculou uma eventual chegada ao comando da Casa à abertura de novas investigações. O senador citou uma CPMI sobre o Banco Master, a retomada das apurações relacionadas ao INSS e uma comissão para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo recursos da saúde.
Tereza Cristina também aparece nas articulações para a sucessão do Senado. Rogério Marinho, por sua vez, é uma das principais lideranças da oposição na Casa e ocupa nesta eleição uma posição estratégica como coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A composição do Senado que sairá das urnas em outubro será determinante para essa disputa. O resultado definirá a correlação de forças entre governo e oposição e quais grupos terão condições de construir maioria para eleger o próximo presidente da Casa.
Uma das fontes ouvidas pela Jovem Pan avalia que a pauta das CPMIs poderá, inclusive, ser utilizada nas negociações por votos para a próxima Mesa Diretora.
Nesse cenário, uma eventual CPMI sobre Lulinha pode ter dificuldade para sair do papel em 2026, mas permanecer como pauta para a próxima legislatura. Nos bastidores, parlamentares já relacionam a defesa de novas investigações à disputa pelo comando do Senado e às articulações que começarão após o resultado das urnas.


Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Lula, em 2008. (Crédito: JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE)


