01 de setembro de 2026

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Banqueiro questionou Moraes sobre fuga dias antes de ser preso

Política 01/09/2026 15:43 Folhapress via Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, perguntando se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal. As mensagens, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostram que Vorcaro também tentou influenciar autoridades para evitar a prisão.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

  • Vorcaro enviou mensagem a Moraes perguntando se deveria deixar o país no sábado, dois dias antes da prisão.
  • Na segunda-feira seguinte, foi preso no Aeroporto Internacional de São Paulo ao tentar embarcar para Malta.
  • As mensagens indicam que Vorcaro tentou influenciar autoridades como o diretor da PF e o procurador-geral para atrasar ações contra ele.
  • O Banco Central decretou a liquidação do Master um dia após a prisão.
  • O ministro André Mendonça pediu manifestação da PGR sobre as mensagens.

Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro teria enviado a Moraes a mensagem: "Acha que segunda já tenho que estar fora", de acordo com o jornal. Na segunda-feira (17), o banqueiro foi preso pela PF quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

A revelação amplia o conjunto de mensagens entre Vorcaro e um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser Moraes. Parte desses diálogos está em documento sobre o qual o ministro André Mendonça, do STF, pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Um dia antes da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro também teria perguntado ao ministro: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã", segundo o Estadão.

A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 de 17 de novembro, segundo o jornal. Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo.

O Estadão afirma ainda que, no dia 15, Vorcaro perguntou a Moraes: "Aquele mesmo juiz Ricardo E o [Gabriel] Galípolo tá sabendo Conseguimos fazer algo". Já às 17h26 do dia em que acabou preso, teria enviado: "Conseguiu ter notícia ou bloquear".

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não permitem saber o conteúdo de eventuais respostas de Moraes. Os dois usariam imagens de visualização única com capturas de textos escritos no aplicativo de notas, e a extração teria recuperado apenas conteúdos enviados pelo banqueiro.

A investigação da PF apresenta uma série de mensagens enviadas por Vorcaro a partir de 30 de outubro de 2025. Em outros diálogos já revelados, o banqueiro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

A pessoa para quem a mensagem foi enviada não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela reportagem.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que era "importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco". Em outra, divulgada pelo Estadão, pede que o interlocutor tente adiar uma ação da PF: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível".

Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o documento da PF. A reportagem procurou nesta terça-feira (1º) Andrei, Gonet e Moraes, que ainda não haviam se manifestado.

O Estadão também publicou que Moraes fez edições em uma minuta do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Em nota, o escritório afirmou que seu setor de compliance solicitou informações ao ministro, "na condição de marido da sócia diretora", sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.

Segundo o escritório, não havia impedimento porque não estava prevista atuação perante o STF e Moraes não havia julgado causas envolvendo o Master. O contrato previa pagamentos de R$ 129 milhões ao longo de três anos, a R$ 3,6 milhões por mês.

Em março, O Globo revelou que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia de sua primeira prisão. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo.

À época, Moraes afirmou que "não recebeu essas mensagens" citadas em reportagens e classificou como "ilação mentirosa" a afirmação de que elas teriam sido enviadas a ele.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar para o exterior. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.