11 de setembro de 2026

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EUA cogitam punir ministro do STJ após crise envolvendo Banco Master

Política Sanções 11/09/2026 07:03 Isabella Menon / Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

Governo dos Estados Unidos avalia novas sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes e outros integrantes do Supremo Tribunal Federal, com decisão podendo ser anunciada após julgamento de 15 de setembro.

Pressão diplomática americana contra o STF

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, está avaliando a imposição de novas sanções a autoridades brasileiras no contexto da atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. De acordo com uma alta autoridade do Departamento de Estado, as medidas não estão apenas sendo consideradas, mas já foram elaboradas e a Casa Branca está preparada para torná-las efetivas.

Entre os nomes monitorados de perto pelo Washington está o ministro Alexandre de Moraes, embora a administração americana também esteja analisando a conduta de outros integrantes da Corte. A situação é intensificada pela crise derivada das investigações sobre o ex-banco Master.

  • Novas sanções financeiras já foram preparadas pelo governo Trump.
  • Ministro Alexandre de Moraes é o principal alvo, mas outros juízes também são vigiados.
  • A sessão de 15 de setembro, liderada por Edson Fachin, é vista como divisor de águas.
  • Aliados de Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, pressionam por essas medidas em Washington.
  • Pesquisa americana indicou que 53% dos brasileiros não mudariam o voto se novas sanções fossem aplicadas.

A data crucial para os observadores americanos é o dia 15 de setembro. Nesta data, o presidente do STF, Edson Fachin, realizará uma sessão extraordinária. O julgamento decidirá sobre um relatório da Polícia Federal que aponta Alexandre de Moraes como intermediador de interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O resultado pode culminar na abertura de uma investigação formal contra o ministro ou na anulação completa do inquérito.

Um dos principais focos diz respeito aos diálogos atribuídos a Moraes e Vorcaro contidos no relatório. A atuação da cúpula do STF nesse processo será o principal critério para que o governo decida se avança com as penalidades. Para o Departamento de Estado, essa votação é o momento mais transparente para medir a integridade e a imparcialidade da Corte brasileira.

Retomada da Lei Magnitsky como ferramenta

Os instrumentos jurídicos que o governo americano pode utilizar incluem a Lei Magnitsky, uma norma que permite a aplicação de sanções financeiras rígidas, como o bloqueio de bens e a proibição de transações econômicas nos EUA. Essa lei já foi ativada contra Moraes em julho de 2025, com bloqueio de contas e ativos sob jurisdição americana. No entanto, essas restrições foram suspensas no final do ano anterior, após um período de aproximação diplomática entre os presidentes Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde o início da crise envolvendo o Banco Master, a pressão por essa retomada aumentou. Antes mesmo da escalada mais recente, publicações internacionais relatavam que medidas contra Moraes ganhariam força após o ministro autorizar buscas contra Luís Pablo, jornalista do Maranhão que publicou reportagens sobre o ex-ministro Flávio Dino e também foi alvo de diligências da Justiça.

A pressão política interna no Brasil também tem papel ativo. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, nomeadamente o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, têm mantido conversações frequentes com a administração Trump. Ambos foram convidados para participar de uma reunião no Departamento de Estado na semana seguinte à reportagem, com o objetivo de discutir a viabilidade dessas punições.

Impacto eleitoral e a pesquisa nos EUA

Apesar do clima de tensão, não há um prazo definido para a aplicação das novas sanções. A autoridade americana enfatizou que a decisão final é de responsabilidade exclusiva de Donald Trump. Um dos principais medos do governo dos EUA era de que essas penalidades pudessem ser interpretados como um favor eleitoral a Lula, o que favoreceria o atual presidente na campanha brasileira.

Para mitigar esse receio, foi encomendada uma pesquisa em agosto pela consultoria McLaughlin & Associates, ligada ao partido republicano. O levantamento ouviu 1.991 eleitores no Brasil e os resultados foram confirmados pela imprensa. Os dados mostram que 53,3% dos brasileiros afirmaram que as sanções não influenciariam seu voto, reduzindo o temor de uma vantagem eleitoral para o governo atual.

Em relação a preferências de voto, 24,7% dos entrevistados disseram que ficariam mais inclinados a votar no senador Flávio Bolsonaro, enquanto 18,2% citariam Lula. A pesquisa também abordou a responsabilidade pelas tarifas americanas sobre exportações brasileiras: 32% culpam Lula e 25% a família Bolsonaro. Na questão sobre quem melhor defenderia o Brasil perante os EUA, há empate técnico: Flávio Bolsonaro tem 44% das opiniões e Lula tem 41%.

Esses números, segundo a autoridade americana, ampliaram a margem de segurança política para Washington. Com a redução do risco de ser acusado de interferir no Brasil por meio de ações que favoreçam o governo de Lula, o Departamento de Estado tem mais liberdade para agir, caso entenda que a atuação do STF violou princípios de governança ou integridade financeira global.