07 de outubro de 2026

pt-br

EUA: Deputados pedem explicações a Trump sobre interferência na eleição do Brasil

Política Eleições 07/10/2026 15:31 Eliseu Caetano, Jovem Pan jovempan.com.br

Dezoze parlamentares americanos cobraram do secretário de Estado, Marco Rubio, esclarecimentos sobre a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA. Os congressistas acusam a Casa Branca de tentar manipular as eleições brasileiras de 2026 e questionam contatos diretos com a família Bolsonaro.

Doze congressistas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, exigindo explicações sobre a decisão de cancelar o visto diplomático da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Os parlamentares também questionam a postura da administração do presidente Donald Trump em relação ao processo eleitoral brasileiro.

A ação foi liderada pela deputada Sydney Kamlager-Dove, que ocupa a co-presidência do Comitê para o Brasil na Câmara dos Representantes. O documento, datado de 6 de outubro, estabelece um prazo até 20 de outubro de 2026 para que o Departamento de Estado apresente respostas por escrito às acusações.

  • Os deputados acusam a Casa Branca de tentar influenciar o resultado das eleições brasileiras de 2026.
  • A revogação do visto da embaixadora é vista por eles como uma retaliação diplomática sem precedentes.
  • Cita-se a nomeação de um 'enviado para o Brasil' com declarações controversas sobre a democracia local.
  • O grupo questiona se funcionários do governo americano entraram em contato com a família Bolsonaro.
  • Há cobrança para que a relação entre os dois países respeite a soberania e a escolha do povo brasileiro.

Acusação de interferência eleitoral

Um dos pontos mais críticos da carta relaciona diretamente as ações do governo norte-americano às eleições que ocorrerão no Brasil em 2026. Os congressistas afirmam que a retirada do visto da embaixadora representa a mais recente escalada no esforço sustentado da administração Trump para influenciar os resultados do pleito brasileiro.

Para sustentar essa alegação, os signatários citam encontros realizados por funcionários do Departamento de Estado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A carta também menciona sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes e questionamentos feitos pelo governo americano sobre a credibilidade do sistema de votação no Brasil.

O documento ainda critica a nomeação de Darren Beattie como 'Envoy for Brazil' (Enviado para o Brasil) em fevereiro. Os parlamentares questionam a atuação do departamento e as declarações anteriores de Beattie, que teriam gerado atritos com Brasília.

Retaliação por vistos negados

Outro ponto central da cobrança envolve Riley M. Barnes e Samuel Samson, altos funcionários da área de Democracia e Direitos Humanos. Segundo o documento, a decisão de cancelar o visto da embaixadora brasileira foi uma retaliação à recusa do governo brasileiro em conceder vistos a esses dois oficiais americanos.

As informações públicas indicam que os EUA pretendiam enviar esses funcionários ao Brasil para levantar questionamentos sobre o sistema eleitoral. O governo brasileiro teria negado a entrada deles por considerar que a visita representaria uma nova tentativa de interferência nas eleições de 2026.

Para os signatários, embora divergências diplomáticas sejam comuns entre aliados, a retirada do visto de um embaixador em exercício é uma medida extrema que deve ser reservada para situações muito mais graves, não para disputas políticas internas de outro país.

Sete perguntas diretas ao secretário de Estado

Os 12 congressistas apresentam sete questionamentos formais ao Departamento de Estado. A primeira pergunta busca saber quais fatos específicos justificaram uma medida considerada extraordinária, como a revogação do visto da embaixadora.

Também cobram detalhes sobre o objetivo da viagem de Barnes e Samson ao Brasil, quais reuniões estavam previstas e qual foi o nível de coordenação entre o Departamento de Estado e a Casa Branca antes da decisão.

Os parlamentares perguntam diretamente se o presidente Donald Trump foi informado da decisão de retirar o visto de Ribeiro Viotti. Outro questionamento sensível envolve a família Bolsonaro: eles querem saber se Marco Rubio, seu vice ou qualquer outro alto funcionário autorizou contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ou Eduardo Bolsonaro relacionados a essa revogação.

No campo eleitoral, o grupo questiona por que integrantes do governo buscaram examinar o sistema de votação do Brasil 'no meio de uma campanha presidencial ativa'. A carta pergunta: 'Que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil possa carecer de credibilidade'

Impacto nas relações bilaterais e com a China

A última pergunta apresentada a Marco Rubio trata das consequências geopolíticas das tensões. Os parlamentares querem saber se o governo Trump realizou estudos para avaliar se as medidas poderiam aproximar o Brasil da China, prejudicando a posição americana no continente.

Eles também questionam se as ações afetarão a cooperação bilateral no combate ao narcotráfico, na segurança regional e no comércio. O prazo para respostas por escrito foi fixado em 20 de outubro.

Na conclusão, os signatários defendem que as relações entre Washington e Brasília devem ser baseadas no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro. O documento termina dizendo que a relação bilateral não deve ser determinada por 'se o candidato favorecido pelo presidente Trump prevalece' nas eleições. "As relações entre Estados Unidos e Brasil devem ser fundamentadas no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro", afirmam.