20 de outubro de 2026

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Protesto em São Paulo exige neutralidade da Meta nas eleições

Política Meta 20/10/2026 08:18 Guilherme Jeronymo - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br São Paulo SP

Centenas de ativistas e organizações da sociedade civil protestaram em frente às sedes da Meta e do Google em São Paulo, cobrando transparência e justiça na distribuição de conteúdos políticos. O ato acontece em meio a uma ordem judicial que obriga a empresa a comprovar igualdade no tratamento de campanhas eleitorais.

Centenas de manifestantes realizaram um protesto no início da noite da segunda-feira (19), concentrados na região das sedes das empresas Meta e Google, localizadas na zona oeste de São Paulo. O evento contou com a participação de diversas entidades e movimentos sociais.

Utilizando o slogan Meta, não se meta, os participantes criticaram o que consideram censura contra ativistas nas redes sociais, falta de neutralidade na moderação de conteúdos e o suposto favorecimento de interesses comerciais na gestão das comunidades digitais. O ato busca pressionar a empresa por um ambiente mais justo e transparente.

  • A Meta detém o controle de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp.
  • O protesto ocorre após ordens judiciais do TSE questionando o viés da empresa.
  • Ativistas alegam banimentos e desrespeito a decisões judiciais vigentes.
  • A Meta justificou as falhas apontando excesso de regras eleitorais.
  • O movimento defende a soberania digital e a proteção da democracia.

Transparência e Monitoramento

As entidades tentaram entregar um manifesto físico à Meta, mas os organizadores informaram que a empresa não permitiu o protocolo do documento. Por isso, a declaração será enviada digitalmente por meio de uma ação coletiva. A falta de acesso direto à liderança da corporação é apontada como um sinal de opacidade.

O nosso pedido é por algo que deveria ser básico, pois ferramentas como essa acabam por sustentar todo um debate público. A gente pede que seja mais transparente, a gente pede que tenha lugares para monitorar e pessoas possam acompanhar, e que haja relatórios sobre o que eles estão fazendo, explicou Veronica Gimenez, programadora que ajudou a organizar o ato representando a ONG TravaHacker. A transparência nos algoritmos é vista como essencial para a confiança da população.

A soberania digital e popular também foi um tema central nas falas, com críticas severas à presença das grandes empresas de dados na gestão de parte dos sistemas de governo. Os participantes argumentam que a dependência dessas plataformas compromete a autonomia do país. Por essa ganância de monopólio, as empresas cometem abusos e não conseguem cumprir compromissos básicos de respeito ao nosso debate público e à nossa democracia. Por isso não é o primeiro e não será o último documento que direcionamos à empresa, completou Gimenez.

Viés Político e Proteção a Minorias

A falta de proteção adequada a grupos minoritários e o fomento a discursos de ódio por parte dos algoritmos também tiveram destaque durante o protesto. Além disso, segundo alguns dos presentes, há uma desigualdade na forma como conteúdos de diferentes espectros políticos são impulsionados. Fui banido, mesmo com ordem judicial favorável. Há 11 meses eles (Meta) não cumprem a liminar, desrespeitam as decisões do nosso sistema legal. Essas plataformas estão influenciando nas eleições de nosso país, essas empresas têm lado e não é o lado do povo, declarou o ativista Thiago Torres Santos, conhecido como Chavoso da USP.

Decisões do TSE

Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atendeu a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, para que a Meta explique dados segundo os quais estaria desfavorecendo conteúdos do campo político de Lula e dando destaque ao campo adversário, infringindo a legislação eleitoral. Outra queixa está numa possível desigualdade no impulsionamento de anúncios pagos.

A campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro também ingressou com reclamação semelhante no TSE. Isso demonstra que a disputa pela neutralidade digital é ampla e afeta todos os lados do espectro político. Hoje, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para que a empresa comprove a adoção de medidas de isonomia na distribuição de posts políticos e na veiculação de anúncios de campanha.

Em nota, a Meta alegou que a dificuldade na geração de conteúdos e no acesso a comunidades e grupos ocorre por conta do excesso de regras eleitorais e de demora natural ao processo de checagem e liberação de conteúdos. A empresa afirma atuar com base em protocolos de segurança.