25 de outubro de 2026

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Ataques violentos contra políticos e mulheres chocam Brasil no dia das eleições

Política Violencia 25/10/2026 15:10 Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Montes Claros MG

Vereadora em Minas Gerais foi atingida no rosto durante carreata; Lula defende respeito entre vizinhos e especialistas alertam para aumento de agressões à mulheres e servidores da Justiça Eleitoral.

A disputa política acirrada do segundo turno tem sido marcada por episódios de violência contra candidatos, militantes e cidadãos. A tensão no ambiente eleitoral gerou ataques físicos e verbais em várias regiões do país.

Em Montes Claros, no interior de Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel, do PT, foi atingida no rosto por um objeto arremessado durante um ato político na noite de sábado. Ela precisou deixar o local em uma ambulância do Samu. Segundo relatos, o carro de som onde a vereadora estava foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos.

  • Vereadora Iara Pimentel foi atingida no rosto e atendida pelo Samu em Montes Claros (MG).
  • Deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) sofre ameaças constantes e entrou no programa estadual de proteção.
  • Presidente Lula defendeu a convivência democrática e criticou a violência política após votar em São Bernardo do Campo (SP).
  • Sindicato de servidores da Justiça Eleitoral denunciou intimidações desde o primeiro turno.
  • Entidade de mulheres denunciou agressão física contra suas lideranças no Distrito Federal.

Violência contra a vereadora em Minas Gerais

A agressão sofrida por Iara Pimentel é considerada incompatível com a democracia. A vereadora defendeu a liberdade de manifestação política e cobrou uma investigação rigorosa, apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos. Ela ressaltou que a violência política não pode ser normalizada e que nenhuma divergência de opinião justifica agressões.

Pensar diferente é um direito. A violência política é uma ameaça à democracia. Nenhuma divergência pode justificar agressões ou colocar vidas em risco, argumentou a vereadora.

Solidariedade e proteção a deputada mineira

O episódio em Montes Claros foi citado pela deputada federal eleita Ana Elisa, também do PT de Minas Gerais, que classificou a agressão sofrida por Iara Pimentel como inadmissível. Ana Elisa afirmou que a democracia não combina com pedras, ameaças e agressões, e manifestou solidariedade à vereadora e às demais pessoas feridas.

A deputada já havia denunciado anteriormente ser alvo de violência política. Em um momento crítico, ela foi obrigada a desativar sua conta na rede social X após sucessivas ameaças de morte e estupro. Ana Elisa relatou que recebia ataques a cada dois minutos, declarou estar totalmente vulnerável e levou o caso à Polícia Civil de Minas Gerais. As mensagens recebidas continham conteúdos racistas, misóginos e de violência sexual.

Diante da gravidade das ameaças sofridas, a deputada eleita foi incluída no Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.

Presidente Lula defende respeito na diversidade

Após votar em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou os episódios de violência registrados durante a campanha. Ele defendeu a convivência democrática entre pessoas com opiniões políticas, religiosas e visões de mundo diferentes.

O presidente afirmou que divergências políticas não podem resultar em agressões. A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade, disse Lula, referindo-se ao caso da vereadora mineira.

Os vizinhos não precisam torcer para o mesmo time, mas não precisam brigar. Os vizinhos não precisam ter o mesmo candidato, mas também não precisam brigar. Não precisam gostar da mesma religião, mas também não precisam brigar. Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o time dos outros e o partido dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude, acrescentou o presidente.

Intimidações contra servidores e mulheres

Há também relatos de ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral. A Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) divulgou nota de repúdio às intimidações que vêm sendo feitas desde o primeiro turno das eleições. Diante da situação, o sindicato tem cobrado a responsabilização dos envolvidos.

A União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF) denunciou, na véspera do segundo turno, agressão contra sua presidenta, Maria das Neves Filha, e contra a presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo.

O incidente ocorreu em frente ao CEMI-Gama e foi registrado em vídeo. Segundo a entidade, o agressor é um policial militar aposentado e teria arremessado uma mesa, derrubando materiais da atividade.

A UBM-DF informou ter registrado boletim de ocorrência, anunciado medidas judiciais e divulgado o vídeo do episódio. Na nota, a entidade afirma que não podemos naturalizar a barbárie e a violência contra mulheres e caracteriza o caso como violência política de gênero.