Presidente do PL afirma que Jair Bolsonaro desconhecia que o filho sairia do país; ex-presidente está em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe. Flávio chegou aos EUA após ser derrotado por Lula nas eleições de 2026.
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou nesta quinta-feira (28) que o ex-presidente Jair Bolsonaro não tinha conhecimento de que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, sairia do Brasil. A informação foi dada a jornalistas após Valdemar visitar Bolsonaro, que permanece em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de estado.
Valdemar relatou que, ao ser questionado se Flávio se despediu do pai antes de viajar, ele inicialmente confirmou, mas emendou dizendo que o ex-presidente não sabia que o filho iria para os Estados Unidos. "Se despediu lógico, ele Não! Se despediu não, ele veio para ver o pai, ele não sabia que ia. Nem o Bolsonaro sabia que ia", esclareceu Valdemar.
- Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula no 2º turno das eleições de 2026.
- Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe.
- Flávio chegou a Miami, nos EUA, acompanhado da esposa e das duas filhas.
- O encontro entre Valdemar e Bolsonaro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes.
- Tarcísio de Freitas, governador de SP, pediu respeito ao resultado das urnas.
Flávio visitou o pai na última segunda-feira, logo após a derrota nas eleições presidenciais. Ao sair da visita, ele foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes e declarou publicamente que não deixaria o país. No entanto, Flávio chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28).
Reação ao episódio e conversa sobre eleições
Valdemar também ressaltou que a cúpula do partido não aprova a conduta de Flávio. Ele afirmou que a conversa com Jair Bolsonaro foi focada nas eleições e no desempenho da legenda. "Ninguém quer ter problema, ninguém aprova Ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. Nós O Flávio passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para a frente", declarou o presidente do PL.
O líder partidário disse não ter gostado do teor da carta divulgada por Flávio, na qual o senador se autointitulava "líder do Brasil" e, em uma primeira versão, "verdadeiro presidente eleito". A carta é vista por aliados como um gesto que busca contestar a legitimidade do resultado eleitoral.
O encontro entre Valdemar e Bolsonaro teve aval do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados de Bolsonaro argumentaram que a visita era necessária para um "diálogo direto" com o ex-presidente, considerando o momento de tensão política.
Dados da derrota e rota de fuga
A conversa acontece em meio à turbulência no PL. No domingo (25), Flávio Bolsonaro perdeu para o presidente Lula no segundo turno. Lula obteve 64,2 milhões de votos (51,79% dos válidos), enquanto Flávio teve 59,8 milhões (48,21%).
Dois dias após a derrota, Flávio fugiu do Brasil. De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, ele cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27). A família apresentou documentos válidos e seguiu de avião particular para Miami, após escala no Equador.
Apesar da carta de Flávio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reiterou o respeito ao processo democrático. "A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", disse Tarcísio. Fontes do PL afirmaram que o partido não tem relação com a divulgação da carta.


Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto


