O médico e tricologista Luciano Barsanti explica que a caspa pode ser confundida com outras doenças e dá dicas de como evitar erros que pioram o problema no couro cabeludo.
Com a chegada do frio, os casacos e gorros saem do armário, a alimentação fica mais calórica, os doces aparecem com mais frequência nas refeições e os banhos ficam mais quentes e demorados. Isso muda hábitos na rotina alimentar, de vestuário e de higiene corporal. Embora a queixa de descamação e coceira no couro cabeludo ocorra o ano todo, no outono e no inverno o número de pacientes com esse desconforto aumenta muito.
- 8 em cada 10 pessoas sentem coceira e descamação no couro cabeludo no frio.
- 80% dos homens e 50% das mulheres produzem óleo em excesso no couro cabeludo.
- Caspa pode ser confundida com psoríase, alergias e até infecções por fungos.
- Usar shampoo errado ou se automedicar pode piorar o problema e causar queda de cabelo.
- Lavar o cabelo com água morna ou fria todos os dias ajuda a controlar a caspa.
Nessas estações, 8 em cada 10 pacientes se queixam de irritação no couro cabeludo, com coceira e presença de fragmentos de pele nos fios ou na roupa. Esse desconforto tem origem genética.
Geneticamente, 80% dos homens e 50% das mulheres têm produção excessiva de óleo (sebo) nas glândulas sebáceas, que ficam dentro do couro cabeludo. Essas glândulas secretam o sebo, uma substância rica em gorduras, para fora do couro cabeludo.
Quando a produção de óleo é normal, ela lubrifica e protege os fios de cabelo e o couro cabeludo. Essa gordura protege o cabelo contra agressões como sol, calor do secador, vento e poluição.
Por que a caspa aparece e nem sempre é visível
Quando há excesso de produção de óleo, a gordura se acumula no couro cabeludo e causa inflamação, com vermelhidão, descamação, coceira e maior sensibilidade. Essa inflamação é a dermatite seborreica, que se manifesta visualmente como caspa.
É importante saber que a caspa nem sempre é visível, pois pode ficar grudada no óleo dos fios de cabelo. Essa condição, embora desconfortável e desagradável, não é contagiosa.
Em muitos casos, pode haver também a presença de fungos, como Pityrosporum ovale ou Malassezia furfur. Eles já existem no couro cabeludo, mas quando há muito óleo, calor e umidade, esses fungos se multiplicam e pioram os sintomas da dermatite seborreica.
Como o diagnóstico correto é feito
Para o médico tricologista (especialista em couro cabeludo e cabelos) fazer um diagnóstico preciso, é fundamental fazer uma anamnese clínica e exames especializados. Um deles é o scanner do couro cabeludo, que permite ver as estruturas capilares com aumento de até 30 mil vezes, e a microscopia do bulbo capilar, que mostra a saúde da raiz do cabelo.
Também é importante fazer o exame micológico direto, que examina a presença de fungos no microscópio e faz a cultura desses microrganismos. Esse exame é mais demorado, mas ajuda a identificar o crescimento de vários tipos de leveduras.
Esses exames não são invasivos e permitem um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.
Quando não é 'só caspa': o perigo de confundir doenças
A caspa, ou dermatite seborreica, é uma condição comum, mas nem sempre é fácil de diagnosticar. Existem outras doenças que têm os mesmos sintomas, mas causas diferentes, como psoríase do couro cabeludo, dermatites químicas, alergias e parasitoses. Por isso, é essencial que um médico faça o diagnóstico correto, pois os tratamentos são muito diferentes.
Se um profissional não capacitado errar o diagnóstico, pode causar infecções bacterianas e até a perda definitiva dos cabelos.
A caspa não tem cura, mas pode ser controlada. É comum que os sintomas melhorem e depois voltem. Isso acontece quando o paciente se automedica ou usa produtos sem comprovação científica, influenciado por campanhas de marketing.
Para controlar a dermatite seborreica, depois de um diagnóstico preciso, é recomendado evitar gorros, chapéus, bonés e tecidos sintéticos, como a touca de cetim. Também é importante lavar a cabeça todos os dias, com água morna ou fria, usando xampus e condicionadores indicados pelo médico. Use o secador na temperatura média ou fria, mantendo uma distância de pelo menos 30 centímetros do couro cabeludo. Beba bastante água, evite álcool, doces e gorduras saturadas, e controle o estresse, que sempre piora a caspa.
A caspa, embora seja uma queixa comum, não é simples de diagnosticar. O paciente precisa ser acompanhado por um médico tricologista, evitando automedicação, soluções caseiras e produtos indicados por influenciadores ou supostos especialistas de redes sociais, que podem ser inúteis ou até prejudiciais.


Caspa - Divulgação


