04 de setembro de 2026

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Respiração lenta influencia suas decisões financeiras

Saúde Saude 04/09/2026 14:10 João Assad (Extra) extra.globo.com

Estudo alemão descobre que expirar devagar e por mais tempo pode ativar áreas do cérebro ligadas à recompensa, tornando as pessoas mais dispostas a aceitar riscos. Entenda como isso acontece.

Respirar devagar, com uma expiração mais longa que a inspiração, pode torná-lo mais propenso a assumir riscos financeiros. É o que mostra um estudo alemão publicado na revista Neuron, que usou ressonância magnética e monitores cardíacos para investigar como a respiração controlada afeta o cérebro e as decisões.

Os pesquisadores descobriram que a expiração prolongada aumenta a atividade do sistema nervoso parassimpático (chamado de "repouso e digestão") e, com isso, amplifica a sensibilidade do cérebro a recompensas, levando a mais aceitação de apostas arriscadas.

  • Uma respiração lenta e com expiração longa aumenta a aceitação de riscos.
  • O estudo utilizou ressonância magnética para monitorar a atividade cerebral.
  • A respiração controlada ativa o sistema nervoso parassimpático.
  • Os participantes eram 41 adultos saudáveis, sendo 24 mulheres.
  • A técnica pode ajudar em transtornos de ansiedade e depressão.

Como o estudo foi realizado

Os cientistas da Universidade Livre de Berlim pediram que 41 adultos saudáveis (24 mulheres) realizassem uma tarefa de decisão arriscada em duas condições respiratórias. Nenhum tinha histórico de doenças psiquiátricas ou neurológicas.

Na primeira condição, chamada eupneia, a respiração era normal. Em outro dia, os participantes tomavam decisões durante uma expiração prolongada: inspirar por dois segundos e expirar por oito, quatro vezes mais tempo.

Enquanto os participantes realizavam uma série de decisões relacionadas ao risco, a equipe mediu diversos aspectos de suas respostas físicas e neurológicas.

Uma ressonância magnética monitorava a atividade cerebral, enquanto os padrões respiratórios, a atividade cardíaca, a condutância da pele e as respostas pupilares eram acompanhados simultaneamente.

O que foi descoberto

Após analisar os dados, os pesquisadores descobriram que a expiração prolongada aumentou a disposição a correr riscos: os participantes aceitaram mais apostas. O efeito foi impulsionado por uma maior sensibilidade às recompensas (ganhos), sem alterar a sensibilidade às perdas.

Isso aconteceu porque a expiração ativou o sistema nervoso parassimpático. Além disso, quem apresentou maior ativação dessa área também mostrou maior atividade em regiões cerebrais ligadas à avaliação de recompensas.

Ou seja, a respiração pode estar influenciando suas decisões financeiras sem que você perceba. Respirar de forma mais lenta e com expiração longa parece "calibrar" o cérebro para dar mais peso aos ganhos potenciais, tornando você mais propenso a aceitar riscos.

Técnicas de respiração acompanham a humanidade há milênios em diversas religiões e culturas. Com este estudo, fornecemos provas científicas de que se trata de um método confiável e preciso, capaz de controlar nossas decisões, explica Soyoung Q Park, chefe do Departamento de Neurociência da Decisão e Nutrição da universidade.

Para os pesquisadores, a respiração controlada pode ser uma ferramenta valiosa na autorregulação diária, além de servir como suporte não farmacológico em contextos clínicos, principalmente para condições como transtornos de ansiedade ou depressão.