19 de setembro de 2026

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Congo testa vacina contra ebola em área mais crítica da epidemia

Saúde Ebola 19/09/2026 15:32 AFP jovempan.com.br

A República Democrática do Congo começou a aplicar testes de uma vacina existente para ebola num grupo de 20 mil pessoas no coração da surto atual, que já matou milhares e não tem cura específica até agora.

A República Democrática do Congo (RDC) iniciou neste sábado (19) uma campanha de vacinação no epicentro da epidemia de ebola. O objetivo é medir a eficácia de um imunizante desenvolvido para uma cepa do vírus diferente da que circula atualmente no país.

O país da África Central enfrenta a epidemia de ebola mais letal de sua história. Declarada em maio, a doença já provocou 3.639 mortes e infectou 7.541 pessoas, segundo o balanço mais recente do Instituto Nacional de Saúde Pública da nação.

  • A vacina testada é a Ervebo, usada contra outra cepa de ebola.
  • O grupo de risco inclui 20 mil trabalhadores de saúde e apoio em duas províncias.
  • Os testes durarão entre 9 e 12 meses para medir os resultados.
  • A OMS recomenda a aplicação por falta de cura especifica para a variante atual.
  • Os dados devem ajudar a entender a proteção contra a forma Bundibugyo.

A epidemia é causada pela cepa Bundibugyo do vírus. Para esta variante, não existe nenhum imunizante ou tratamento específico até o momento, embora duas vacinas estejam na fase de ensaios clínicos avançados.

Proteção cruzada e testes em campo

Enquanto estas vacinas não são certificadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs testar a eficácia da vacina Ervebo. Este é o único imunizante aprovado e disponível em larga escala contra o ebola, mas foi desenvolvido especificamente para combater a cepa Zaire, a mais comum no continente.

O estudo, previsto para um período de nove a 12 meses, é voltado para 20.000 trabalhadores da linha de frente. Esses profissionais atuam nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, localizadas no nordeste do país, o que as tornam o epicentro da atual epidemia.

Essa vacina é eficaz contra a cepa Zaire, mas não sabemos em que porcentagem poderia ser eficaz contra a cepa Bundibugyo, afirmou um dos coordenadores da resposta sanitária na RDC, o professor Steve Ahuka. A declaração destaca a incerteza científica sobre o teste.

Ela poderia oferecer algum nível de proteção cruzada contra o vírus Bundibugyo, explicou a doutora Nana Mimbu, coordenadora de pesquisa da organização Médicos Sem Fronteiras. Essa proteção parcial é esperada pelos especialistas de saúde global.

Impacto histórico do vírus ebola

O vírus é transmitido por contato com fluidos corporais. Ele causa febre hemorrágica, uma condição grave que afeta órgãos e sistemas vitais do corpo humano de forma intensa.

Nos últimos 50 anos, a doença provocou mais de 15.000 mortes em toda a África. A pior epidemia registrada até então na RDC deixou quase 2.300 mortos entre os 3.500 infectados registrados entre 2018 e 2020, marcando tragédias anteriores.