06 de outubro de 2026

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Comer muitos doces deixa criança com miopia: entenda o perigo

Saúde Saude 06/10/2026 15:42 Rafael Damas - Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Estudo revela que o excesso de açúcar e carboidratos aumenta em 41% o risco de miopia em jovens. Médico explica como a alimentação, o sol e o uso correto das telas previnem a doença.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition, que envolveu 2.473 participantes com idades entre 12 e 18 anos, demonstrou que o consumo excessivo de doces e carboidratos eleva em 41% o risco de desenvolver miopia. A situação é agravada pelos dados do relatório 2026 da Federação Mundial de Obesidade, que indicam que 40% das crianças e adolescentes brasileiros com até 18 anos estão com sobrepeso ou obesidade, uma realidade mais comum entre classes de baixa renda devido ao alto consumo de alimentos ultraprocessados ricos em gordura e carboidratos.

Principais pontos sobre a relação entre dieta e visão

  • O excesso de açúcar enfraquece a esclera (parte branca do olho), facilitando o crescimento anormal do olho.
  • A exposição ao sol por 1 a 2 horas diárias ajuda a rigidez da esclera, prevenindo a alta miopia.
  • O uso excessivo de telas até os 8 anos causa espasmo muscular nos olhos, levando à miopia acomodativa.
  • Novos óculos e lentes de contato conseguem frear a progressão da miopia, não apenas corrigi-la.
  • A baixa visão dificulta o aprendizado escolar em até 50%, segundo levantamento com 36 mil crianças.
  • Como a alimentação influencia a saúde dos olhos

    O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro fundador da ABRACMO, explica que a esclera funciona como a estrutura de suporte do globo ocular. Quando há excesso de doces e ultraprocessados na dieta, o fornecimento de oxigênio, nutrientes e a circulação sanguínea no olho são comprometidos. Isso afeta a coroide, que é responsável por nutrir a esclera. A falta de fluxo sanguíneo e de oxigênio resulta em três problemas: menor produção de colágeno, alteração no metabolismo e aumento de enzimas que degradam o tecido. Consequentemente, a esclera enfraquece, torna-se mais maleável e permite que o olho cresça além do tamanho normal, o que é a principal característica fisiológica da miopia.

    É importante destacar que o estudo é observacional. Ou seja, ele não prova que mudar a dieta ou tomar suplementos sozinhos curam a miopia já estabelecida. No entanto, o médico afirma que certos nutrientes, como o ômega-3, antioxidantes e vitaminas específicas, podem ajudar a modular os fatores fisiológicos envolvidos na progressão da doença. Esses nutrientes funcionam como um apoio ao tratamento, e não como uma solução isolada.

    O papel da luz natural na prevenção

    A exposição ao sol, em períodos de 1 a 2 horas por dia, pode prevenir a progressão da miopia para níveis altos (acima de 6 dioptrias). A miopia alta aumenta o risco de doenças graves, como glaucoma, descolamento de retina, retinopatia miótica e degeneração macular. Esse fator explica por que o Japão adotou, neste ano, o recreio em espaços abertos nas escolas e já registra uma pequena queda no número de crianças míopes.

    Segundo Queiroz Neto, o sol exerce um efeito de fortalecimento (crosslinking) sobre a esclera. Isso torna a parte branca do olho mais rígida, impedindo o alongamento característico da miopia. "Não quer dizer que a criança não vá se tornar míope, alerta o especialista. Mas a prática de atividades ao sol antes de se tornarem míopes pode prevenir a alta miopia acima de seis dioptrias, uma importante causa de glaucoma, descolamento de retina, catarata precoce, retinopatia e degeneração macular, condições que levam à perda da visão".

    Sinais de alerta e o impacto das telas

    O oftalmologista orienta os pais a observarem certos comportamentos: quando a criança é míope, ela tende a apertar os olhos para enxergar de longe, aproxima-se da TV e do celular, tem queda no rendimento escolar, evita esportes em grupo, cai com frequência e sente dor de cabeça no fim do dia. Muitas vezes, a criança não sabe que está com problema de visão por falta de comparação. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é essencial. "Enxergar mal dificulta em 50% o aprendizado, mostrou um levantamento com 36 mil crianças realizado no hospital", afirma.

    O uso de telas é um grande fator de risco, especialmente até os 8 anos, quando o olho está em pleno desenvolvimento. Um estudo conduzido por Queiroz Neto com 360 crianças de 6 a 10 anos mostrou que o esforço visual excessivo para focar de perto nas telas causa espasmo nos músculos ciliares. Esses músculos controlam o cristalino para mudar o foco, e o espasmo leva à miopia acomodativa. Diferente da miopia patológica, onde o olho cresce, a acomodativa pode ser revertida com mudanças de hábito. A solução é seguir a regra 20/20/20: a cada 20 minutos de uso de tela, os olhos devem olhar para um ponto a 6 metros de distância por 20 segundos. Essa alternância relaxa os músculos ciliares e recupera a capacidade de enxergar em todas as distâncias.

    Novas tecnologias para tratar a miopia

    A rápida aumento da miopia no mundo levou a uma nova fase no tratamento. Foram introduzidas lentes de contato ortoceratológicas, que aplanam a córnea durante a noite e dispensam óculos durante o dia, além de óculos específicos para controlar a progressão da miopia. Esses tratamentos preservam a saúde ocular de crianças e adolescentes. Eles podem ser usados sozinhos ou em conjunto com colírio de atropina diluída a 0,01. "Em vez de se limitarem a corrigir a miopia, tratam a doença fazendo com que as imagens se formem em cima da retina, não à frente dela como acontece na miopia", explica o médico. Em 12 anos, houve grande evolução nas plataformas, incluindo óculos que corrigem a miopia e também aberrações visuais, que são pequenas imperfeições que impedem uma visão nítida.

    O sucesso do tratamento depende de três fatores: a adesão do paciente, que deve usar a lente entre 10 e 12 horas por dia; a adoção da regra 20/20/20 em frente ao computador ou celular para não estressar os olhos; e a realização de acompanhamento oftalmológico semestral. O médico conclui que o tratamento para conter a progressão da miopia previne doenças oculares graves, evitando que a criança dependa permanentemente de correção visual na idade adulta por falta de visão.